sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

A falta de tempo

Andamos todos muito ocupados. Demasiado ocupados!
Não há tempo para a familia, nem para os amigos, nem para nós próprios.
Mergulhamos no trabalho e tudo o resto fica subordinado a isso mesmo.
Os afectos são, metódica e eficazmente, arrumados numa gaveta de onde só são tirados quando arranjamos uma aberta nos nossos mais do que muitos afazeres.

Ora, se as relações são como as plantas, i.e., têm que ser cuidadas, regadas, protegidas, acompanhadas. Se exigem investimento e dedicação... como é que fazemos?

Eu bem tinha dito ao V. que andava sem tempo.
Pedi-lhe tempo e pedi-lhe espaço. Ele deu.
Depois senti a falta dele, facilitei a aproximação. Mas, de volta ao trabalho, fiquei sem tempo. De novo!
Ele bem tem tido calma e evitado queixas explicitas, mas eu tenho tido a noção muito clara de que estou a falhar, que estou a dar pouca atenção, pouco tempo, que estou a investir pouco... Num momento tão decisivo...!

Depois de muitas indisponibilidades, de muitos "espera um bocadinho que agora não posso!", de alguns "hoje não!" ou "agora não!", de alguns "talvez mais tarde". Depois de suportar tudo isso cheio de compreensão, talvez comece a cansar-se! E com razão!
Depois de tudo isto, saiu-lhe, em tom de brincadeira, é certo, o seguinte comentário: " Mas porquê que uma rapariguinha tão novinha trabalha tanto...?!"
Não sou assim tão novinha, mas sim, tenho trabalhado muito. Para quê?!
Respondi-lhe: "Olha, porque é preciso!". Mas, será mesmo?
Não deviamos, eu e muitas outras pessoas, parar um bocadinho e reavaliar as nossas prioridades?
Ainda bem que amanhã é Sábado...

9 comentários:

Filipa disse...

Olá Margarida,

Obrigada pela passagem pelo estaminé.
A propósito de tempo, hoje mesmo comentei no blog da Cate, e passo a citar: "... o tempo é das unidades mais preciosas que conhecemos, porém confesso... se o pudessemos controlar, a fim de o parar ou retroceder de vez em quando, em determinados momentos, seria fantástico. Imagina, contemplar um por do sol até te cansares..."
Aqui, e depois de reflectir mais um pouco, acrescento que deveriamos também poder eliminar determinados períodos de tempo.
Eu eliminaria a morte dos meus pais e do meu irmão.

Anónimo disse...

Pois é Margarida.. tens mesmo toda a razão! Isso acontece tantas vezes! Eu também tenho pensado nisso, ponho demasidas vezes o trabalho à frente dos afectos, que são o mais importante! Mesmo que o V. seja compreensivo e aceite n teres tempo, acho mesmo que te faz bem clicar no botão pausa ao trabalho. Mesmo que seja só para um café ou um telefonema longo... eu eplo menso tento fazer isso com o meu S.
Abraço
E desculpa mais uma vez a tontice no msn!
beijos
Sofia (Coimbra)

cate disse...

Olá Linda!!
É incrível como nos deu às duas para falar do tempo!!
Ainda não te tinha ido visitar hoje e fiquei surpreendida com o tema do teu post de hoje!!
É que sinto-me mesmo pressionada com o raio do sr Tempo!
Mas sei que, como tu própria dizes, é uma fase!! Espero que passageira!!
Beijinhos e bom fds
cate

ringthane disse...

Os meus dois cêntimos para este assunto: não temos falta de tempo, optamos é por gastá-lo de formas diferentes daquelas que mais tarde nos vêm a parecer as melhores. É sempre possível mudar de vida.

C_de_Ciranda disse...

Ora... mas não é, muitas vezes, o trabalho uma forma de terapia? Diz-me tu ;)

Quanto a mim, confesso que não gosto de não ter tempo para nada, mas também não gosto nada das fases em que quase não há trabalho... Não gosto nada mesmo.. a não ser que se esteja em férias, claro! ;)

Ana Rangel disse...

Sem dúvida, Margarida! Há que pensar bem nas prioridades para que, no futuro, não surjam arrependimentos...

Além disso, namorar faz bem!!! Bom fim de semana, cheio de miminhos! Beijinhos do outro lado do Atlântico!

gracinha, a artista do burlesco disse...

Pois eu tenho cá para mim que é tudo uma questão de prioridades. E essas são feitas inconscientemente. sempre. E como diz a Ciranda pode ser uma terapia... ou uma maneira de evitar pensar em certos assuntos naquela altura. Eu por mim falo!
Beijos
Gracinha

lidia disse...

OLA MAEGARIDA,ESTIVE A LER O TEU POST DO REI EDUARDW E NAO RESISTI A COMENTAR,ESTIVE O ANO PASSADO NA HUNGRIA E E SOUBE DESSA HISTORIA,CREIO QUE TENHO ALGUMA COISA A FALAR SOBRE ISSO NUNS LIVROS QUE COMPREI LÁ SÓ QUE AINDA NAO TIVE TEMPO DE LER MAS NAO VAI PASSAR DESTE FIM DE SEMANA.
BEIJOS

Vilma disse...

"Nos bons velhos tempos em que tinha tempo de sobra, o tempo era uma fracção do tempo que o tempo tinha. Eu era feliz nesse tempo, porque sentia que ainda tinha tempo mesmo depois de gastar o tempo que o tempo tinha. Hoje, o tempo "lixa-nos", porque depois de gastarmos o tempo que o tempo tem, parece que roubamos o tempo a alguém!"

Isto é uma observação de um querido amigo meu, o toresco.blogspot.com sobre o tempo. Não resisti a deixar aqui.....