Não me lembrava, mas não estranhei. Era natural que tivesse falado disso. Pensei que ela estava interessada na história mas, afinal não era assim.
Aproveitou para me informar que ia casar. Fiquei contente por ela, e até por ele. Parecem feitos um para o outro, são diferentes, mas completam-se; assisti a arrufos mas eram só isso: arrufos de quem se quer bem. Esqueci-me da Leonor Teles.
Depois dos parabéns, ela insiste no assunto.
- Não me lembro, mas se calhar falei-te nisso. É natural que sim; é um assunto que me é familiar. Mas não é uma história bonita, menos ainda para quem está prestres a casar!
- Não estou a falar da história, estou a falar do sítio. Lembras-te de me teres mostrado um monte de fotografias há uns anos? O sítio é tão imponente, tão bonito, que quero casar lá. Emprestas-me as fotografias?
Ri-me porque achei que ela não sabia bem o que estava a dizer. Afinal, aquela igreja não fica aqui ao virar da esquina. Lembrei-lhe da distância e ela responde-me, em tom bem disposto e de desafio, que sempre me tinha ouvido dizer que nunca casaria cá em baixo.
O que é verdade, mas porque tenho motivos para isso, porque não faz sentido que fosse aqui, porque tenho ligações muito mais fortes noutro sítio, porque é a esse sítio que, verdadeiramente, pertenço, porque... Porque muita coisa!
E depois aquela história sombria, trágica e tenebrosa... Bem me lembro de há já alguns anos, quando andava a estudar os baliados - baliados de balios. Não tem nada a ver com balas! - ter estado lá e ter olhado para esse edifício que é, de facto, tão bonito, e pensar que era pena estar tão ligado a um episódio assim nefasto.
Nada! Nada a demoveu!
Lá levou as fotografias, e eu até gostei de as rever mas, a partir de agora, vou mostar menos entusiamo quando falar de alguma história ou de algum sítio. Nunca se sabe o resultado dessas conversas!
Só espero que os convidados não me culpem por terem de fazer tantos quilómetros!









