quinta-feira, 19 de maio de 2005

Home

Ontem preferi ir jantar só quando tivesse tudo mais ou menos controlado. Nem vi as horas, mas era tarde. Muito tarde.
A seguir sai com a minha cadela e o silêncio da noite começou a saber-me bem. Fui até à minha casa. Fui à procura de uma dobradiça de uma janela para mandar fazer as que faltam, porque não se encontram à venda dobradiças iguais às que eram usadas no século XVII.

A noite estava relativamente escura e, por isso mesmo, via-se muito bem o mar de pirilampos que esvoaçavam no páteo. Encostei-me à parede para ficar um bocadinho a olhar para eles - às vezes as melhores coisas da vida são-nos assim dadas e nós nem olhamos para elas - e para decansar. Senti que ela me amparava.
Não era uma coisa qualquer. Tinha as costas encostadas a alguma coisa que me permitia descansar e me deixava calma. A alguma coisa que me protegia.

Passei a mão na parede e soube-me bem sentir a textura. Desencostei-me e toquei nas cantarias da porta. Como se eu e aquelas pedras, que já lá estão há tanto tempo, nos cumprimentassemos.
Sentia-me tão tranquila e protegida ao mesmo tempo.

Lembrei-me, não sei bem porquê, de um email que me mandaram de Edimburgo há uns meses e que dizia:

Ask yourself when will you return home!

E eu tinha entendido, na altura. Porque para quem o enviou o facto de eu ser Scotland´s grandaugther fazia com que o meu lugar fosse lá (mas como também sou neta de outras coisas...).
Mas o que me ficou na cabeça foi a palavra home e o sentido dela.

A língua portuguesa é muito rica! Mas também tem lacunas.
Neste caso a língua inglesa leva a melhor.
Home é ... home!
Não é a frieza de casa, nem a pieguisse frágil de lar.
Aquilo a que eu estava encostada, aquelas paredes de pedra, grossas como muralhas, eram isso mesmo: home!
Forte para proteger, acolhedora para mimar!
Mesmo que, por decisão minha ou por um acaso, possa vir a viver pouco tempo nela. Seja muito tempo, ou quase tempo nenhum. Todos os dias, ou poucos dias na vida. Mesmo não sabendo quem mais lá viverá também, ou não. It´s home!

15 comentários:

Rita disse...

Realmente não há nada melhor que a nossa casinha. Ou então: home sweet home!

Paula disse...

Mais uma "crónica" excelente...
Muitos beijinhos minha amiga!!!

Sara MM disse...

ópá.... escreves tanto que tenho de voltar mais tarde ;o)
BJs- isto já fica!

Vilma disse...

São momentos assim que eu gosto... e é quando surge um canto dentro de mim, "um canto de amor ao Senhor..."! Lindo!

OlhoVivo disse...

Home is where you belong ;)************

Xuinha Foguetão disse...

É tão bom encontrarmos a nossa "home"!
Beijos!

Sara MM disse...

Pois é, talvez "Home" poss dizer o que para mim é a Minha Casa (qualquer uma delas!): familia, lar (nao piegas!), bem-estar, segurança, descanso, tarefas que significam trabalheira MAS também vida, amor, tristeza, companhia, solidao, ansiedade... TUDO!
A casa é o melhor que temos, mas não a casa como lugar ou cimento... a importante é Essa Casa que talvez "Home" possa referir.

Oumun disse...

Minha querida já pensaste alguma vez em escrever um livro?

bjocas grandes

nadiasm disse...

Este teu pst fez-me lembrar dois filmes clássicos: o ET e o Feiticeiro de Oz. Em ambos os protagonistas buscam apenas a sua "home". E no fundo, não é que fazemos todos?

Kwan disse...

De facto, a lingua inglesa é muito mais rica nesse tipo de "expressões". E, de facto, deve ser bom encontrar um sitio que se sinta como home...

... disse...

Home para mim é mesmo a minha "casa" no sentido do espaço que ela encerra e onde vivo...adorei ler, para "não variar"...

Bjs
Mocas

Sofia disse...

a juntar a essa expressão inglesa que tão bem define o que sentimos, eu diria cosy... cosy home.
Um abraço
Sofia & Rafael

Margarida Atheling disse...

Ó Oumun...!
Eu pensar, nunca pensei. Mas escrevi, um livro na minha área. Com outras pessoas. É um instrumento de trabalho.
Foi um convite - quase imposição - da pessoa responsável por essa colecção.

Devia acabar a tese que, em princípio também deve ser para editar. Mas agora arranjei a desculpa de que estou sem tempo para estar ir uns dias para o Porto e arredores. Mas de Dezembro não passa!

Outras coisas não! Nem pensar!

Beijinhos, a todos! :)

nelsonmateus disse...

home ... nã tens culpa nenhuma, mas com este post acordaste velhos fantasmas há muito adormecidos. nã há como fugir-lhes, mais cedo ou mais tarde terei k enfreta-los.

ainda bem k tu sabes onde esta a tua "casa" ... nem sempre é fácil encontar-la quando pertencemos a 2 mundos diferentes.

Oumun disse...

Pois mas devias pensar no caso :) Gosto muito de todos os blogs que visito mas o teu tem o dom de levar a "mergulhar num outro mundo" . Não o digo só porque escreves bem , mas sim pela maniera como o fazes , consegues envolver-nos nos teus post's.. olha a mim neste momento faltam-me palavras para te explicar o que quero dizeri ;)mas tu percebes :) por isso deixa lá os livros de trabalho e nos começa a compilar alguns post's para um dia publicares um livrito pá gente :)
Amioga há tanta gente que escreve... e escreve tanta porcaria ....
Pensa nisso :)

E quanto ao resto

Já dizia Pessoa que a minha pátria é a minha língua ;)

beijocas~