segunda-feira, 30 de maio de 2005

Aluandra

Era uma vez um Rei Mouro que vivia tranquilamente no seu pequeno reino. Não era feliz nem infeliz. Os seus dias seguiam calmos, iguais uns aos outros.

Um dia um Rei Cristão, com o seu séquito, atravessou o Reino mouro em viajem.
O Rei Mouro fez questão de os receber no seu castelo. Levou-os a conhecer o castelo, serviu-lhes um jantar e mostrou-lhes jogos e danças que os cristãos do Norte não conheciam.

No séquito do Rei Cristão seguia a sua filha. E o Rei Mouro apaixonou-se por ela. Não podia pensar em deixá-la ir embora.
Pediu ao Rei Cristão que lhe desse a mão da Princesa, mas o Rei resistiu. Disse, no entanto, que consultaria a filha e que o que ela decidisse seria aquilo que seria feito.
Para espanto do pai, a jovem Princesa, confessou-lhe que também se tinha deixado encantar pelo Rei Mouro e que era sua vontade ficar com ele.
E ficou. Casaram e foram felizes durante muito tempo.

Mas o tempo foi passando e um dia a Princesa começou a entristecer. E cada dia estava mais triste apesar de todo o cuidado que o apaixonado Rei Mouro tinha com ela.
Quase não comia, nem falava, e não saia da janela do Castelo. Foi então que disse ao Rei que tinha muitas saudades da sua terra do Norte e dos seus campos brancos de neve.

O Rei ficou muito triste por não poder fazer nevar no seu reino para aliviar a tristeza da sua mulher. Até que se lembrou de mandar plantar um mar de pequenas árvores à volta do castelo.
Ninguém entendeu porquê, mas um dia, ao acordar, a Princesa encaminhou-se tristemente para a janela e viu uma imensidão de flores brancas. Tantas e tão brancas que parecia que tinha nevado. E foi isso mesmo que lhe pareceu: um imenso manto de neve.

A partir desse dia aquela árvore passou a chamar-se Aluandra, tal como a Princesa. E a Princesa do Norte e o Rei Mouro foram felizes para sempre no seu castelo.


Conhecia esta lenda desde pequena. Às aluandras também se chamam alandras ou cevadilhas. É cevadilhas que chamamos às que temos no jardim.
Umas dão flores brancas, outras cor-de-rosa.
Mas soube-me bem ouvir esta história, deitada numa cama de rede no alpendre de uma casa que tem uma linha de aluandras a separar o jardim do laranjal, contada pela pessoa que toma conta dessa casa e saber que, apesar de não poder garantir exactamente de que castelo se tratava, era ali muito, muito perto, naquelas terras do Sul.
E são coisinhas destas que me deixam de sorriso nos lábios apesar de ter que compensar agora o trabalho que deixei atrasar.

14 comentários:

t&v disse...

eu conhecia esta mas era com as amendoeiras em flor :)

nadiasm disse...

Pois, eu também conhecia com as amendoeiras...
Nesta história lembro-me que me fez muita confusão a princesa ter ficado doente com saudades...da neve, não dos pais, irmãos, amigos ou locais conhecidos, mas da neve.
Ainda me faz confusão.
Bjs da prima

Vilma disse...

conhecia com a amendoeira... mas importa mesmo é ainda haver espaço dentro de ti para estas bonitas histórias! Adorei! Um beijo!

Luna disse...

Olá margarida!
Não conhecia mas adorei conhecer,brigado pelo carinho no meu blog já passou hoje é novo dia
Bjocas
Luna

nelsonmateus disse...

a lenda é originária de uma zona específica ou nem por isso???

Margarida Atheling disse...

Eu sempre a conheci como sendo originária do Algarve. Mas também não garanto que não circulem outras versões.
É muito comum existirem versões quase iguais de algumas lendas até em países diferentes. Antigamente - mas mesmo muito antigamente - estas histórias circulavam muito.

Kwan disse...

Era o castelo de Silves, está visto! ;)

Boa história. Espero que tenha mesmo sido verdade...

Sofia disse...

Que bonito! Mesmo que o tempo passe, são eses momentos que valem a pena.
PS: eu conhecia a lenda como sendo algarvia, mas com amendoeiras. Mas como dizes, isto, muito antigamnete, circulava e ia-se transformando. A mim deixa-me alegre saber que ficaram ainda algumas coisas desse tempo mágico!
abraço
Sofia & Rafael

HOPE disse...

Olá Margarida!
Sim, eu também conhecia a lenda com amendoeiras e num castelo algarvio. Mas vai dar ao mesmo! O que interessa é que nos contem estas histórias e que nós ainda hoje gostemos de as ouvir.

Beijinhos da HOPE

a_guerreira disse...

Olá Margarida. Obrigada por me lembrares que um dia alguém plantou, debaixo da minha janela, uma amendoeira... No tempo em que eu era uma princesa e o amor era eterno. Um abraço...

nelsonmateus disse...

pensando bem ... é melhor assim!

de qquer maneira ... obrigado pelos esclarecimentos.

Sara MM disse...

Para mim essa é a lenda das AMENDOEIRAS...
Qd era pequenina fizémos no Natal uma Mega-Produção, com roupas ao pormenor para todos os perssonagens, musicas e textos muitissimo bem ensaiado! A torre da Princesa (a minha irmã) era o cimo do armário! Eu era o Bobo do Rei e o Pagem...
foi tão lindo! Aminha Prima mais velha era a encenadora mas muitissimo exigente mesmo tendo na altura apenas com 15 anos, e nós todos (5 primos tão pequenos!!!)!! Foi o máximo!!!
BJs
PS- Adivinha o que é o meu último M!!!

... disse...

Já vi que o fds grande foi bom e relaxante! Eu tb vou no Domingo para os Algarves (mas só 5 diazitos)para o meu rapaz ir à praia...vou estar numa territa muito simpática que cheira muito, muito a campo...ainda é campo...

Beijinho grande
Mocas

PS: tb conhecia essa lenda, mas com amendoeiras em flor...

Anónimo disse...

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