terça-feira, 9 de outubro de 2007

Das crianças

Uma prima proclamava aos quatro ventos, ainda há muito pouco tempo, o meu jeito para as crianças, por oposição à total falta de jeito dela, mesmo para a sua própria criança. Há amigas minhas que dizem o mesmo, mas eu acho que não tenho jeito nenhum especial, e que nem é preciso. As crianças são simples, ou gostam ou não gostam, são sinceras. E são também muito engraçadas.

Ora eu, apesar de achar exagero essas apreciações acerca desse jeito, reconheço que não me custa tratar com as crianças, que gosto delas e que, por isso, até se revela fácil entendê-las. Houve uma, no entanto, que durante três dias seguidos me fez a mesma pergunta sem que eu lhe desse uma resposta que ele achasse aceitável, e sem me perguntar a mim mesma que raio tinha dado ao miúdo.

Todos os dias, assim que me via, perguntava tão sorridente quanto ansioso: O teu marido?
E eu, a cada dia mais perplexa, lá lhe respondia que não tinha marido, a que se seguia um: Tens sim!, amúado dele e um virar de costas em jeito de birra.

Ao terceiro dia lá acrescentou à pergunta de sempre: ... o senhôôôre que faz castelos de areia! E aqui percebi, finalmente, a quem ele se referia, e até entendi que na cabeça feita de dualidades de uma criança daquela idade fosse natural esse tipo de construção de realidades. Deixei de teimar com ele e passei a calá-lo, a cada manhã, com um simples: Esta a trabalhar.

A estratégia resultou, e a única coisa que tive de fazer foi repetir este ritual de respostas todas as manhãs até se terem acabado as férias da criança (antes do fim de semana seguinte), sem que lhe fosse possível voltar a posar os olhos em cima do meu marido.

Pois não é que, passado já algum tempo desde as férias, numa esplanada (sim, dei um saltinho a uma esplanada hoje ao fim da tarde para dar os parabéns e um presente de aniversário à mãe dele), quando chega acompanhado da Mãe, a primeira pergunta que me faz é: O teu marido?

Decididamente a criança afeiçoou-se, mas a coisa nem seria má por aí além se à minha resposta de sempre, em que digo que está a trabalhar, com o intuito de acabar a conversa por ali, ele não me tivesse respondido, de sobrancelhas franzidas, mãos na cintura e ar de [muita] censura: E achas bem?! É só ele que trabalha?!

Mas isto é normal?!?!



10 comentários:

Alecrim disse...

LOL.

(Não sei se é normal, mas é hilariante.)

Ana Paula disse...

Voltaste Margarida? Que bom...
Na verdade as crianças são o melhor do mundo e essas saídas são do mais espontâneo que há.
Um beijo

Piquinota disse...

LOL LOL LOL
Acho que não vou conseguir parar de rir!:) Esta criança é deliciosa!:)))



Jinhos

Teresa disse...

Ah!Ah! Viva a sinceridade! Essa questão do "jeito para crianças" é interessante, eu achava que não tinha nenhum e agora parece que nunca fiz outra coisa! beijins. O teu marido??!!

CGM disse...

Bom dia! É normal, é!

E divertido, de facto.

Mary disse...

Voltastes, que bom!!!

Um beijo
Isa

shu disse...

LOL

Helena Mendes disse...

Ainda dizem que as crianças não são espertas... Têm sempre alguma resposta para dar.
Sem dúvida uma situação hilariante.

Ah, ainda bem que voltou.

Costinhas disse...

lololol

mais que normal amiga... mais que norlmal!

(e tens jeitinho tens :))

sm disse...

:-DDD

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