segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Medos

(D. Quixote)

Nós mulheres sentimos coisas. E se as sentimos, elas são reais. O que se sente existe, quanto mais não seja, dentro da pessoa que sente.
E é do que sinto mas não vejo que tenho medo.


Não tenho medo das ondas grandes no mar. Elas mostram-se, são frontais. Podemos medir-lhes a força e a intenção. Podemos perceber se nos podemos juntar a elas ou se, pelo contrário, são uma ameaça. E mesmo quando o são, estão ali à nossa frente, tal como são. Francas. Com elas sei lidar.

Tenho medo das correntes.
Não se conseguem ver e, no entanto, muitas vezes estão lá.
Entramos na água, tranquila à superfície, a brilhar ao Sol, convidativa e, muitas vezes elas estão lá. Todo o mar as tem, em alguns dias, em algum ponto.
E elas sentem-se, mas não se conseguem ver. Sentem-se e existem. Existem e são poderosas. São poderosas, subterrâneas e perigosas. E sim, existem.
É do que não vejo, mas sinto, que tenho medo.

É o que se esconde e disfarça e camufula que temo.
É com essas coisas que não sei lutar e são elas que me podem fazer mal.

11 comentários:

Xuinha Foguetão disse...

Os sentimentos são poderosos...

Beijo grande e nada de medos.

gralha disse...

Por isso sempre dormi virada para a porta...
O pior é quando não podemos destapar os medos e temos de esperar.

Boa semana e beijinhos

Anónimo disse...

Ia dizer que tinhas razão, porque a tens sempre de algum modo, porque vês o que passa despercebido à maioria das pessoas, porque sabes apresentar bem os teus pensamentos, porque és honeste a absolutamente verdadeira. E tens Margarida, o que escreveste está cheio de verdades e de verdades oportunas das tais que nos escapam e que, quando somos confrontados com elas assim, ficamos a matutar no que nos foi lançado para os olhos de modo tão claro e tão simples.
Está cheio de verdades mas tem uma inexactidão: tu não tens do que ter medo, tu não deves ter medo de nada, essas coisas existem mas tu és uma lutadora por natureza (gentil e franca, mas lutadora), esta-te no sangue, não é à toa que se tem os genes de séculos de guerreiros. Tu és assim e só te pode fazer mal o que tu deixares que te atinja. O medo é uma palavra que não liga bem contigo, minha amiga!!!

Beijos

Catarina

CGM disse...

Caramba Margarida, tu fazes-me pensar.

NaRiZiNHo disse...

Às vezes sentimos que vivemos rodeadas pelo medo, mas quando menos esperamos conseguimos vence-lo.
Espero que consigas vencer esses medos, Margarida.
:-*

Vilma disse...

Tens razão.. aquilo que não vemos, muitas vezes, faz-nos recear.
O bom é não permitir que esses medos nos paralisem!

Vi que gostaste da musica e letra do Kirk Franklin.
Eu gosto muito dele.
Se quiseres, vai aqui a este blogue e podes sacar dois albuns dele :
http://somcristao.blogspot.com/search/label/Kirk%20Franklin

ou então vais a este site e procuras pelo nome dele e sacas os albuns dele.
Atenção, que no modo free, só podes sacar um album por dia! ;)

http://www.tehorng.com/artists.php

Beijocas

gaia disse...

faz como fazes com as ondas. olha-as de frente, sem olhar, com o coração. enfrenta as correntes de forma firme. com a consciência de que estão lá, mas com a certeza de que as vais ultrapassar. e não te esqueças nunca, por mais fortes que sejam, há um momento em que páram, mudam de direcção. só tens de ter força para as aguentar, de frente, sempre!

Ana disse...

O medo as vezes eh bom, faz-nos ser cautelosas e prudentes, e assim quando as correntes da vida nos apanham, estamos preparadas para nos defendermos com mais precisao e tenacidade do que se o perigo estivesse mesmo a nossa frente.
Neste caso, o medo eh um aliado poderoso, pois faz-nos mais fortes.

Alecrim disse...

"O medo às vezes é bom", disse a Ana. E fez-me lembrar disto: uma vez senti um medo absoluto, um medo-pânico. Era numa fase muito má da minha existência, dias depois de ter assistido a um suicídio. Fui para o terraço da casa onde vivia, e tive uma espécie de vontade de mergulhar também no vazio da rua lá em baixo. Tive MEDO de mim! Um medo que nunca voltei a sentir. Lembro-me de que ainda não era de noite e fui deitar-me.
Acredito que esse medo foi a mão que Deus me estendeu. Nunca me esqueço disso.

Maria Liberdade disse...

Se as sentes, é porque sabes que estão lá. Não sabes quando ou como, mas sabes que estão e isso já é uma ajuda.

Rui disse...

Contra as correntes perigosas, existe o nadador-salvador e as bóias. Fora da época balnear, a consciência do perigo deve-nos abster de entrar na água brava mais do que o joelho. Fora da praia, nunca sabemos quando é época balnear ou não. Talvez se nos molharmos aos poucos, consigamos perceber a intensidade da corrente.