domingo, 29 de maio de 2005

E agora...

E agora já estou de regresso.
Pois, é alargado, é alargado mas passa a correr.

Grandes lições do fim-de-semana (quero dizer: dos quatro dias):

1ª - Aquele biquini que comprei por impulso e sem o experimentar porque sabia muito bem que era o meu número, era de facto o meu número. Mas era tão transparente que nem era preciso molhá-lo. Ainda bem que percebi antes de o usar na rua! Donde se conclui que se deve sempre experimentar sempre os biquinis antes de os comprarmos.

2ª - Descobri, finalmente, que alcagoitas são, afinal, amendoins.

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Estou...

Estou de saída. Já! Agora!
Para um sítio mais azul.
Bom fim de semana! Alargado...!
:)

terça-feira, 24 de maio de 2005

Zodíaco

O meu segundo trabalho é um projecto pago pela CE e pelo Estado português, e posto em prática por uma entidade bancária.
Somos uma equipa de 16 pessoas, curiosamente, com áreas de formação académica completamente diferentes. Curiosamente para mim, porque me foi dito que o objectivo era mesmo esse, e que cada pessoa tinha sido escolhida a dedo.

Isto para dizer que as pessoas são, forçosamente, diferentes. Que ainda nos conhecemos mal mas que até tem sido divertido - apesar do trabalho - descobrirmos essas diferenças.

Não sou pessoa de dar nas vistas.
Faço tudo para passar despercebida e falo muito pouco, se não conhecer as pessoas - e gostar delas. Sou muito mais de observar.
Quando o assunto me obriga a tornar-me o centro das atenções faço-o, mas a contragosto. Mas faço-o, porque é o meu dever.

Imaginava, por isso, que devia ser consensual a ideia de que era uma pessoa pacifica. Até que um colega meu - este, arquitecto - me pergunta:

- Margarida, tu desculpa, mas de que signo és?

Respondo que sou aquário de signo solar e que, segundo me disseram tinha como ascendente carangueijo e signo lunar leão.

Resposta dele:

- Ahh! Deves ser fresca, deves!!!

Eu??!!
Perfeitamente pacifica! Não faço mal a uma mosca desde que não me atinjam ou a alguém de quem goste! Desde que... enfim.
Bem... quando estão em jogo valores ou causas que considero inquestionáveis, nesse caso, sou mesmo do tipo antes quebrar que torcer. Mas, na maior parte do tempo, sou a mais pacifica das criaturas.
Estas coisas dos signos...!!! Eu sei lá o que é que isso significa! E ele também não explicou!

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Waverly Novels

Com os músculos doridos, o cansaço da actividade física e a tranquilidade que um banho longo de água bem quentinha dá, não me apetecia fazer nada à noite.
Ler um bocadinho - coisa que tenho tido muito pouco tempo; ou vontade, de fazer - era uma boa hipótese.
Pus um CD, instalei-me em cima da cama, preguiçosamente acomodada pelas almofadas. Abri o livro. Cheio de batalhas da Inglaterra Medieval. No cima da página lia-se Waverley Novels e o número 182.

Prestei atenção à letra da música. E à letra da música seguinte.
Reparei que, à medida que o tempo passa, as letras das músicas me dizem mais. Porque a vida nos vai dando experiência. Porque vamos sabendo exactamente o que as palavras querem dizer, porque vamos reconhecendo sentimentos.

Reparei numa fotografia do verão em que tinha quatro anos. Lembrei-me muito bem. Tinhamos ido visitar os meus avós paternos à Nazaré. O meu pai tinha insistido em levar-me, pela mão, a tomar banho no mar. Eu não queria. Veio uma onda, passou por cima de mim e lembro-me da sensação da areia a bater-me misturada com a água e da força daquilo tudo, de perceber que era mesmo pequena e de me sentir agarrada. Sempre preferi desembaraçar-me sózinha no mar (mas só no mar!). E nunca gostei assim muito daquela praia, mas descobri, entretanto, que até tem umas ondas bem bonitas para se ver do lado Norte do faról.

Olhei para outra fotografia. Lá estavamos nós em Florença. Quatro amigas.
Lembrei-me de ter tido medo de subir à cúpula da catedral, de quase termos ficado uma noite na rua por termos perdido as horas para voltarmos para a pousada - que era linda, por sinal! Da perseguição dos alemães. De termos encontrado outros portugueses. E do restaurante do Georgious, o único sítio onde conseguimos comer sopa durante todo aquele tempo.

Os cães ladraram lá fora. Tentei perceber o que seria. Sem me mexer. Só pela intensidade dos latidos.
A minha cadela continuava a dormir estendida ao lado da cama. Não era, óbviamente, nada de sério.

Pensei se a minha égua estaria já a dormir. Devia estar cansada também. Como eu.

O telefone tocou. Não me apeteceu atender. Desliguei-o.
Voltei a dar atenção à música.

Acomodei-me mais nas almofadas.
Vi a fotografia da Maria, minha prima-afilhada. Está linda, com caracóis escuros. E tão crescida!
Lembrei-me do contacto bom dos abraços dela. Da graça que tem nas suas brincadeiras. Do dia em que soube que ela ia nascer, de saber, por intuição, que ia ser uma menina, muito antes da ecografia.
Da ansiedade dos dias antes do nascimento. Das lágrimas de alegria no dia em que nasceu naquele Domingo quente de Julho, ao meio dia em ponto, e de ter recebido a notícia à beira mar.
Pensei o quanto era injusto crescer sem a atenção do pai - meu primo! O quanto é injusto que as crianças paguem pelos erros dos pais. Que os pais não percebam! E que não se importem!

Olhei para o candeeiro e lembrei-me que tinha que ir pagar a luz. E que tinha mais uma quantidade de coisas para pagar hoje.
Pensei também no dia apertado que tenho pela frente.

Lembrei-me da P., a quem prometi uma visita há tanto tempo.
E na I. a quem não telefono.

No carro novo do meu irmão e de como ele partiu o outro sem se ter magoado.
Na caixa com dezenas de CDs que ele deixou esquecidos há uns dois meses na garagem.
Na lista de namoradas que ele tem tido, e eu conhecido. De como as coisas estão tão sérias com esta!

Pensei nas poucas cerejas que tinham sobrado do meu ataque da tarde, mas não me apeteceu levantar-me para as ir buscar.

Lembrei-me, nem sei porquê, da minha licenciatura. De alguns professores, de alguns colegas e de algumas matérias. Dos horários. Dos Combis comidos todos os fins de tarde quando tinhamos aulas até às 8H.
E das fugas a uma determinada aula. E de como, quase sempre, por mais que variássemos o itenerário, cruzávamos sempre com esse professor.
Dos lanches no Continental. Do chá e dos queques com noz!
Dos bilhetes trocados durante as aulas. Dos ataques de riso. De como foi bom! E fácil!
Reparei que já lá vão uns anos...

Lembrei-me, talvez por isso, que devia ter terminado o mestrado há muito! E de como arranjei uma desculpa credível para não o fazer de imediato. E fiquei a pensar que, bem vistas as coisas, até tinha muita vontade de o acabar já!

Lembrei-me de Expo... Sei lá porquê!
E disto e daquilo... Os olhos começaram a pesar. Devo tê-los fechado.
Reparei que o CD tinha acabo. Levantei-me e desliguei-o. Resolvi apagar o luz e dormir.
A página do livro dizia, no topo, Waverly Novels e tinha o número 182.

domingo, 22 de maio de 2005


Doem-me os músculos das pernas e dos braços. Estou cansada. Amanhã estarei ainda mais dorida. Mas estou muito orgulhosa desta menina! :) Posted by Hello

Há quem me acuse de não ser dura com ela e, de facto, não uso esporas, nem mesmo esporins, e não lhe bato. Mas, a realidade é que não preciso. E, não se vê logo, neste olhar, que o afecto é muito mais persuasivo do que a força bruta? Posted by Hello

sábado, 21 de maio de 2005

Há alguém...

Vou escovar a égua, entrançar as crinas, hidratar os cascos.
Vou calçar-lhe as cloches para lhe proteger os membros dianteiros.
Vou levá-la para a rua, passar à guia, fazer o aquecimento e até a vou selar.
Mas não haveria por ai uma alma caridosa que se oferecesse para pôr a cera líquida nos arreios?
É que é coisa de que nunca gostei! Mas tem que ser, eu sei!

sexta-feira, 20 de maio de 2005


Raramente uso anéis. Mas também há dias em que uso. Pensei usar este. Ainda o pus no dedo mas, depois, senti-me desconfortável com o peso dele. Foi-me dado por uma pessoa que já não tem nada a ver com a minha vida, há tempo. Se fosse outra coisa, provávelmente, continuaria a usar. Mas um anel... é diferente. Não vou voltar a usá-lo. Posted by Hello

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Home

Ontem preferi ir jantar só quando tivesse tudo mais ou menos controlado. Nem vi as horas, mas era tarde. Muito tarde.
A seguir sai com a minha cadela e o silêncio da noite começou a saber-me bem. Fui até à minha casa. Fui à procura de uma dobradiça de uma janela para mandar fazer as que faltam, porque não se encontram à venda dobradiças iguais às que eram usadas no século XVII.

A noite estava relativamente escura e, por isso mesmo, via-se muito bem o mar de pirilampos que esvoaçavam no páteo. Encostei-me à parede para ficar um bocadinho a olhar para eles - às vezes as melhores coisas da vida são-nos assim dadas e nós nem olhamos para elas - e para decansar. Senti que ela me amparava.
Não era uma coisa qualquer. Tinha as costas encostadas a alguma coisa que me permitia descansar e me deixava calma. A alguma coisa que me protegia.

Passei a mão na parede e soube-me bem sentir a textura. Desencostei-me e toquei nas cantarias da porta. Como se eu e aquelas pedras, que já lá estão há tanto tempo, nos cumprimentassemos.
Sentia-me tão tranquila e protegida ao mesmo tempo.

Lembrei-me, não sei bem porquê, de um email que me mandaram de Edimburgo há uns meses e que dizia:

Ask yourself when will you return home!

E eu tinha entendido, na altura. Porque para quem o enviou o facto de eu ser Scotland´s grandaugther fazia com que o meu lugar fosse lá (mas como também sou neta de outras coisas...).
Mas o que me ficou na cabeça foi a palavra home e o sentido dela.

A língua portuguesa é muito rica! Mas também tem lacunas.
Neste caso a língua inglesa leva a melhor.
Home é ... home!
Não é a frieza de casa, nem a pieguisse frágil de lar.
Aquilo a que eu estava encostada, aquelas paredes de pedra, grossas como muralhas, eram isso mesmo: home!
Forte para proteger, acolhedora para mimar!
Mesmo que, por decisão minha ou por um acaso, possa vir a viver pouco tempo nela. Seja muito tempo, ou quase tempo nenhum. Todos os dias, ou poucos dias na vida. Mesmo não sabendo quem mais lá viverá também, ou não. It´s home!

quarta-feira, 18 de maio de 2005

Parece-me...

Parece-me que a técnica funciona fora de água também!
Parece que está a resultar...
Estou espantada com a minha eficácia! Bem sei que não devia dizer isto, mas é a brincar!
:)

Respirar fundo...

Quando o cansaço nos vence, quando não conseguimos estar ao mesmo tempo em três sítios (mas precisamos mesmo!), quando não conseguimos controlar tudo ( e é muito mais do que nos parecia!) o que deviamos, quando a realidade transcende a imaginação... bebe-se café. E eu nem devia!

E o café pode tirar o sono. Mas não faz desaparecer o cansaço, nem ajuda a resolver nada, nem dá discernimento.
Se calhar devia ter bebido era água!

Ai! Ai!
Isto faz-me lembrar aquelas alturas em que, na praia, entro para dentro de água (e aquela praia tem o que se lhe diga!) e depois vem uma série de ondas enormes e não dá para sair.
Então o segredo é respirar fundo e mergulhar. Vir acima, respirar fundo e mergulhar. Mergulhar fundo. E repetir tudo, tantas vezes quanto for preciso.
Não entrar em pânico, procurar não me cansar demasiado e esperar que acalmem e haja uma altura em que dê para sair. Porque, mais tarde ou mais cedo, acaba por dar. Quando muito parte-se o relógio.
Mas passar uma de cada vez. Sem pensar em mais nada. Porque há-de passar.
Isto também! Respirar fundo... e passar uma de cada vez! Uma coisa de cada vez!

Cansada...

De vez em quando - deve acontecer a toda a gente - apetece-nos ficar mais tempo na cama. Porque temos sono, porque sabe bem...
Hoje apetecia-me ter ficado na cama, mas por outro motivo.
Até tinha - e tenho! - sono, mas não é por isso. É porque me sinto sem vontade de encarar o dia longo que sei que me espera - nem sei a que horas vou jantar...
E porque consigo antecipar todos os pequeninos aborrecimentos que me esperam hoje. E são tantos!
Nada de incontornável, nem nada de grave. Mas quando são muitos, e quando os conseguimos adivinhar, torna-se uma tortura porque os vivemos por antecipação. E como ando cansada...
Para começar bem o dia, uma carrinha nossa foi mandada parar pela polícia há minutos. Querem o comprovativo do pagamento do imposto de circulação de 2005. Ora eu só encontro cá o de 2004.
Sim, está cá tudo de todos. Mas nenhum de 2005. E todos os comercias têm os comprovativos de cada ano pagos em Julho. Ora se estamos em Maio quer-me parecer que ainda não pagámos os deste ano. Se calhar estou enganada... Eu nem percebo nada disto!
Bom... seja como for, este dia não tem mais de vinte e quatro horas e amanhã será, como diria alguém, um novo dia!

terça-feira, 17 de maio de 2005

A minha estreia culinária

Demorei muito a sentir alguma simpatia pela cozinha.
Sempre tive pessoas em casa e, por isso mesmo, não só não precisava de cozinhar como nem fazia sentido. O que é que eu ia fazer para a cozinha? Comia o que era feito para toda a gente.

Mas se há coisa com que começamos a sonhar quando começamos a ficar crescidinhos é em ficarmos sózinhos, sem adultos.
Também demorou algum tempo até o conseguir. Havia sempre gente em todo o lado!
Até que num Verão, e num intervalo em que os adultos não podiam estar connosco na praia, houve uma prova do campeonato de surf. O meu primo V. bateu o pé e disse que tinha que ir, porque um amigo ia participar. E tinha que ir, porque tinha que ir. Porque estava muito interessado, porque sim!
O meu irmão também! E eu... também!

Os pais do meu primo até acharam normal. Os meus pais até nem estranharam muito o meu irmão. Mas arregalaram os olhos quando eu disse, muito convicta, que também queria ir.
Não era o surf, só por si, que me movia. Na verdade até tinha um bocadinho de medo por causa de uma história complicada que tinha acontecido no ano anterior a uma prima de uma das minhas melhores amigas. Queria ir para lá porque gosto de lá estar e, principalmente, por ir "sózinha".

Foram lá deixar-nos, dessa vez na casa dos meus primos.
Foi a primeira vez que ficámos completamente por nossa conta. Estávamos eufóricos.
Mas foi aí que tive que me estrear na cozinha. Sim porque eles... não tinham tempo! Claro! Ou eram as provas ou eram os amigos! Na verdade eles nem tinham tempo para comer nem dormir.
Foi complicado arranjar tempo para fazer a minha vida normal e garantir a organização da casa. Compras, arrumação, limpeza e... alimentação!
Fui ao super-mercado e comprei daquelas embalagens de bacalhau-à-brás. Farta dos horários deles e já sem quase nada do que nos tinham deixado no frigorifico, lá segui as instruções que na altura me pareciam escritas em chinês.
Lá consegui a proeza de, pela primeira vez, fazer mais qualquer coisas de comer sem ser o pequeno-almoço.

De seguida fui ao frigorifico e tirei a única coisa que restava: arroz de tomate. Aqueci-o. Pus tudo na mesa, servi-me e mandei-os fazer o mesmo.
Vi que eles olharam um para o outro mas não liguei.
Durante a refeição disse-lhes:

Isto era melhor se fosse com arroz branco, mas era o que havia no frigorifico.

Risota geral!

Ó prima! Bacalhau-à-brás com arroz branco?!

Foi só nessa altura que percebi o que estavamos a comer: bacalhau-à-brás com arroz de tomate!!!

Ontem acabei por convidar o meu primo e a sua recém-mulher para jantar. Durante a refeição ele disse:

Quem te viu e quem te vê! O que tu mudaste!
Agora já não fazes bacalhau-à-brás com arroz de tomate, pois não?!

Acho que esse bacalhau me vai perseguir toda a vida. Mas, vários anos depois, ainda tenho saudades. Foram uns dias fantásticos!

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Irmã mais velha

Numa manhã de Agosto o meu irmão chega ao pé de mim com ar submisso.
Estranhei o ar e estranhei estar acordade tão cedo - pois, porque o menino perde as noites em férias.

Encosta-se ao balcão da cozinha enquanto eu preparava o meu pequeno-almoço e começa a perguntar-me se não me importava que uma rapariga lá fosse tomar um duche e o pequeno-almoço.
Devo ter abrido os olhos de espanto. Uma rapariga?! Quem?! Porquê?!

Contou que o amigo dele, o N., tinha passado a noite no carro com uma rapariga e que ela era holandesa e precisava de, pelo menos, tomar um duche.
Achei muito estranho mas não pestanejei. Claro que podia tomar um duche.

Pouco tempo depois entram os dois com ar atrapalhado.
Ela era uma holandesa típica. Era simpática, mas muito tímida.
Tentei deixá-la à vontade, mostrei-lhe a casa, falei um bocadinho com ela, mas ela tinha o ar de uma menina pequena que tinha acabado de fazer uma grande maldade.
Dei-lhe o pequeno-almoço e ela começou a falar-me mais à vontade. Já se ria.

Ele, o N., não dizia nada. E só a custo tirava os olhos do chão.
Enquanto ela se vestia para irmos para a praia, quis saber o que era aquilo.
Ele contou-me que se tinham conhecido num chat, que falaram durante umas semanas, que ele a convidou para vir cá e ela veio (?!).
Disse-me que durante esse tempo nunca tinham falado de nada realmente pessoal, que quando a viu cá percebeu que não a conhecia. Que tinha pensado literalmente numa conquista e que tinham acabado por passar a noite toda no carro sem que tivesse acontecido o que quer que fosse. Que nem sequer falavam!

Vi que era a minha oportunidade. Vesti a pele de irmã mais velha (3 anos mais velha) do amigo, e passei-lhe um enorme sermão sobre a irresponsabilidade dele (a dela não era menor!).
Disse-lhe que era inaceitável que as pessoas se metessem em coisas dessas: falar com estranhos?!
Que as pessoas tinham que ser responsáveis e blá blá, blá blá...

Foram os três, como patinhos, comigo para a praia.
Voltaram comigo para casa. Almoçámos. Eu insistia para eles - o meu irmão e o amigo - falarem em inglês para ela perceber. Mas era complicado.
Ela era equitadora. À tarde lá fomos para um Centro Hípico que fica lá muito perto.
Voltámos ao fim do dia, jantaram lá em casa e depois ele foi deixá-la em Lisboa onde uns amigos estavam à espera dela.

Ficámos amigas.
Durante meses ela perguntava-me por ele e eu dava respostas evasivas.
Um dia ela irritou-se, com ele. Mudou o número de telefone, o contacto no MSN e o email. Não mudou de morada mas ele também nunca se lembrou de lhe escrever.

Recentemente ele começou a insistir comigo para lhe dar o contacto dela.
Um destes dias, em que já estava cansada, voltei a dar-lhe outro sermão, com o mesmo conteúdo. Ele, que sempre me tinha ouvido sem ripostar, volta-se para mim e pergunta-me:

Olha lá! E tu nunca falas com ninguém que não conheces na internet?

Engoli em seco. Disse que não própriamente. Que até falava com algumas pessoas mas que as conhecia porque conhecia os blogs e que isso era diferente de falar com pessoas de quem não se sabe nada. E que nunca tinha ido de um país para outro atrás de uma pessoa de quem não sabia rigorosamente nada.
Mas, em consciência, achei melhor calar-me! Esta capa de irmã mais velha já não me estava a assentar muito bem.
Ainda assim hesitei durante uns dias sobre se devia, ou não, dar-lhe o contacto da A. Até que me ocorreu, esta manhã, uma ideia brilhante: agarrei no telefone e perguntei-lhe o que devia fazer. Resposta:

Tell him! Please!

Ora! Se eles querem, quem sou eu para contrariar?!

Começou a chover lá fora! E eu gosto! Dá uma sensação de aconchego...  Posted by Hello