terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ano Novo... coisas novas!

Levámos a Mafalda, hoje, a furar as orelhas.
Dei por mim, muitas vezes, a pensar sobre quando seria a melhor altura para fazê-lo, isto desde há muito, pelo menos desde o baptizado dela, quando os meus avós lhe ofereceram um par de brincos e o meu irmão e cunhada lhe ofereceram outro.

Muitas vezes pensei qual seria o momento em que ela o faria, caso pudesse ter noção disso e falar. Claro que podia esperar por isso mesmo; esperar que ela crescesse e mo pedisse, mas depois penso que se estou convencida que ela mo pediria então podia adiantar-me e fazer isso num momento em que todos dizem que custa menos porque, com esta idade, ela não tem medo.

Dei por mim, outras tantas vezes, a fugir ao pensamento de dar mais este passo, porque é mais um passo em direcção ao crescimento dela, é deixar de ser a mesma bebé, tal qual nasceu, é mais uma mudança. E muitas vezes apetece segurá-la bebézinha, mas ela cresce, e depressa.

Foi hoje, porque sim, porque tinha de ser, porque agora ou mais tarde iria acontecer, porque a partir de meados do mês vou passar ainda um bocado menos de tempo com ela e prefiro que ela passe por estas etapas quando estou quase sempre junto dela.

Não creio que lhe tenha doído, mas assustou-se um bocadinho.
Mas lá que ficou uma menina linda, com um cabelo que lhe cresce muito depressa e com uns brinquinhos pequeninos nas orelhitas, lá isso ficou.

Tão menina já, que está a minha bebé!
E como eu a adoro...!!!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano Novo... fim de férias!

Se há coisa que não muda, passagem de ano após passagem de ano, é o doloroso regresso ao trabalho.
Depois de férias léctivas e das respectivas festividades custa um bocadinho voltar à rotina do trabalho, mesmo quando ele nem é, neste caso, demasiado pesado nem sufocante.
Mas lá que custa... custa!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Um 2010 mágico!
Que 2010 vos traga a concretização de todos os vossos sonhos!

Entre o Natal e o Fim de Ano

O Paizinho ainda teve de ir trabalhar de manhã. Estou sózinha com a Mafalda.
A casa está por arrumar ainda e há algumas coisas por despachar para logo, para a passagem de ano (ainda que muito familiar) em casa do meu irmão.
Acendi a lareira com três pinhas e uns troços de pinheiro e cedro e o lume estala já, para abafar o som do vento forte que vem lá de fora.
A sala está transformada num quase quarto de brinquedos e a M. brinca com o porco/mealheiro/caixa de música, ao mesmo tempo que dança, tanto quanto os seus desembaraçados 14 meses o permitem (14 meses já!!! O tempo voa!!!), ao som do New York, New York, que passa na televisão ligada na RTP1. Nos intervalos vem pedinchar colo.

Há o almoço e muitas outras coisas para fazer mas ela não facilita e cola-se a mim. Verdade seja dita que não me apetece, também, fazer mais do que o realmente necessário.

Ela não me deixa muito tempo para garndes divagação por escrito. É tudo para viver e não me dá tempo de sobra para escrever.

Ainda não digeri bem o Natal e já temos aqui a passagem de Ano e o aniversário da minha Mãe.
Acho que o Natal é uma quadra difícil de digerir, muito para além da questão gastronómica.
Difícil de conciliar as expectativas de todos os intervenientes, um por um, e mesmo de cada uma das famílias em que, agora, nos temos de dividir.
Concentro-me no Natal da Mafalda. O Natal tem de ser, agora, mais o dela do que de qualquer outra das outras pessoas, todas elas adultas, por sinal. Concentro-me na essência do Natal, mais do que nunca, porque mais do que nunca a agitação, o alarido, o corrupio, a correria multiplicaram-se e de tão ensurdecedoras parecem querer não deixar ouvir nem ver o Menino na manjedora.
Vou à Missa do Galo para não me peder, para não me afogar, para, no fim de tudo, sentir que tive, de facto Natal, para ter a certeza que o vivi e que não passei por engano o Carnaval ou um arraial qualquer.
Vou à missa do Galo para que a Mafalda encontre o Natal; porque aquilo que escreveria agora, na carta ao Pai Natal que escrevia em pequena (para que ele trouxesse os presentes que o menino Jesus me destinava), aquilo que pediria, para este Natal e para todos os outros por vir, é que a Mafalda encontre, e nunca perca de vista a essência do Natal, o verdadeiro Natal, o Natal do nascimento do Menino Jesus.
Vou à Missa do Galo - vamos - para que no meio de tudo o vivamos, nós os três, como uma unidade, uma família como a do presépio, para a sentir (nos sentir) o núcleo, o núcleo da nossa vida.
E nada disto é fácil na realidade que temos.

De 2009, com momentos bons e maus, com situações dolorosas e outras maravilhosas, com a vida do dia a dia, com a volta ao trabalho (a um trabalho novo, totalmente novo, mas de que gosto), com planos e concretizações, não posso dizer mal. Mesmo que não fosse por mais nada porque foi o primeiro ano de vida da minha filha e nada na vida podia ser melhor do que ter vivido com ela esse crescimento.

Para 2010, não faço pedidos. Na verdade, para além de não gostar de passas que, no entanto engulo apressadamente ao toque das doze badaladas, nunca consegui enunciar doze desejos.
Deixo isso na mão do destino. Com expectativas. Sim, com algumas expectativas para 2010... mas fica na mão do destino!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Natal

Não me esqueci de passar por aqui no Natal. Simplesmente não consegui fazê-lo a tempo.
Não me esqueci de nenhuma das pessoas de quem gosto, mas não consegui telefonar a nenhuma nem mandar um mail a uma só que fosse.
Seja como for, ainda estamos na quadra, e deixo por isso, aqui, os meus votos de uma quadra natalícia muito feliz.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Doze

Neste entretanto, entre o aniversário da Mafalda e o dia de hoje, dei mais aulas, surpreendi-me com coisas boas dos alunos, surpreendi-me com coisas más dos alunos, aborreci-me com as horas que gastamos em outras coisas para dar umas poucas horas de aulas, lavei e passei roupa, cozinhei, mudei fraldas, fiz arrumações, fiz perto de 2 quilos de marmelada (e por pouco deixava estragar os marmelos todos, de tanto tempo que os deixei na árvore, maduros, antes de os apanhar), fiz testes e corrigi-os, tive sentimentos ambiguos em relação aos alunos (desejei, bem cá no fundo, que o mau comportamento de alguns meninos se reflectisse nas notas - e aconteceu, naturalmente - e que alguns outros fossem premiados pelo esforço - o que também aconteceu, na maioria dos casos), desenvolvi sentimentos um bocado maternais em relação a eles, no geral, e aos mais "fracos" em particular, visitei o Museu de Arte Antiga com o meu Mais que Tudo e a Mafalda (que se portou bem).
Neste entretanto fiz muitas outras coisas de que não me recordo agora, mas que, como estas que referi, são as coisas banais, do dia a dia, de uma pessoa comum.

Mas neste entretanto, também, nasceram dois dentinhos (de cima) à Mafalda, e está agora a nascer o terceiro de baixo (para juntar aos dois que desde Agosto, já tinha em baixo).
Neste entrento, também, a miúda deixou de dar apenas pequenos passinhos sem qualquer apoio. Hoje, assim de repente, a Mafalda começou a andar de um lado para outro, e de uma pessoa até à outra, sem parar, de sorriso nos lábios e, sobretudo, rápidamente e de passos absolutamente seguros e decididos.
É oficial; aos doze meses (ainda. ela ainda tem doze meses.), a Mafalda começou a andar sózinha. Está uma menina crescida!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

1 Ano

Parabéns, Mafalda!

(fotografia tirada aos 7 meses, por ela)


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Onze

A minha filha tem onze meses (sim, estou quase em negação e compreendo hoje, melhor do que nunca, o que esta menina sente todos os anos).
Estava eu a dizer que a Mafalda tem onze meses (porque sim, porque os tem, ainda) e que, em onze meses de vida viajou muito e para lugares variados e que teve acesso a experiências variadas. Em onze meses de vida, acho que viveu muito.

Viajou do Algarve ao Minho, do litoral ao interior, passou a fronteira e adorou a experiência por terras de fora.
Passou férias numa praia cheia de cheiro a maresia, manhãs humidas, areais a perder de vista, e com amigos meus, vizinhos/companehiros de férias desde a minha infância, mar com ondas de fazer respeito e muita calma e espaço. Passou-as também no Algarve, onde o Sol castiga a terra, mas as manhãs cheiram a figos e a flor de laranjeira; onde o mar é calmo e morno, mas o areal está pejado de gente.
Passou-as, por fim, no interior do país, em visita a uns amigos, por terras da Beira Alta, onde em cada localidade há um castelo, onde as casas de granito se misturam com as de xisto, onde tomavamos banho numa piscina com vista para um prado enorme e lindo, com vacas a pastar, onde existem lameiros e matas de carvalhos, e onde a noite nos brinda com o maior concerto de grilos que alguma vez ouvi e com a noite mais estrelada que conheço.

Vive no campo, com espaço e animais e liberdade e família que mima, mas às portas da capital, onde gosta de passear mesmo entre multidões.
Na maior parte dos fins de semana, vai ver a outra parte da família, onde também tem espaço e uma mão cheia de pessoas ansiosas por lhe dar ainda mais mimos.

Brinca na terra e na relva, vai à vinha e à adega, faz as primeiras tentativas para subir a árvores, adora música, dançar, que lhe leiam livros (e de desfolha-los, ela mesma), é louca por água e pelos seus (muitos) animais. Brinca com a gata, os cães e a égua. Dá milho aos pombos.
Visitou castelos, mosteiros e museus. Foi a exposições.

Fez muitas outras coisas de que não me recordo, assim de repente, mas, o que me importa reter de tudo isto é que ela é uma menina feliz.
É isso que me importa lembrar. Não importa dizer aqui, agora, tudo aquilo que ela é, de meiga, intelingente, doce, engraçada... não é isso que importa agora.
Também não importa falar acerca do que ela represente para mim, nem do quanto ela veio enriquecer a minha vida porque disso... teria que falar durante dias.
O que importa agora é que ela tem onze meses, tem tido uma vida repleta de experiências, lugares e pessoas e que, acima de tudo, ela é uma menina feliz. Muito feliz. E que aquilo que eu desejo é que permaneça assim por todos os anos que se seguirem.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

[Re]Começos

[Re]Comecei a trabalhar. Não esta semana. Não a anterior. Mas na anterior à anterior.
Afinal o curso e os anos todos na faculdade sempre servem para qualquer coisa.

Perguntaram-me se queria e eu disse que sim.
Não pensei nem acho que houvesse muito a pensar.

Duas manhãs, apenas.
Bom para mim e para a miúda, que não sabia o que era estar longe da mãe umas horitas (nem a mãe sem ela). Por isso, duas manhãs está bom, para começar.

A minha mãe fica-me com ela, por isso nem sai de casa. Apenas não é a mim que vê ao acordar, não sou eu que a visto, nem sou eu que lhe dou o pequeno almoço. E não, nunca, desde que ela nasceu, alguém que não eu, tinha feito alguma destas coisas.
E ao almoço já cá estou, para a abraçar, encher de beijos saudosos, e dar de comer.

Mesmo sendo o tempo que não estou com ela tão pouco. Mesmo assim, não consegui deixar de me sentir culpada por a deixar um bocadinho, por não continuar a ser eu a fazer-lhe tudo.
E agora, também o pai tem que ficar com ela uns bocadinhos, para além das brincadeiras habituais.

É bom para mim e é bom para ela, que cresce um bocadinho mais e que ganha uma mãe mais realizada e completa (mesmo que agora, ainda aqui esteja, já com vontade de dormir, a acabar de preparar aulas).
É bom para o pai que ganha uma mulher mais equilibrada.
É bom, para todos, em suma.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Soltas

Sei lá porquê, ou de onde, chegou-me hoje uma saudade forte do tempo em que este blog era cheio de vida. Tenho saudades da "convivência diária" com algumas pessoas. Algumas já de muitos anos, que o mesmo é dizer, de muitas alegrias, de muitas tristezas, de muita vida compartilhada. Bem sei que as espreito na mesma. Não tanto quanto gostaria, mas espreito. E acho sempre que esta quase ausência é transitória e breve, mas ela vai teimando em permanecer.
Tenho saudades. Muitas.

A Mafalda fez onze meses. Está enorme, saudável, desenvolta e muito, muito meiguinha.
Sou muito feliz com ela e o pai.
Ao fim deste tempo todo, continuo a lamentar o tempo e o espaço que queria mais nossos. Ainda "nos dividimos" demasiado, ainda compartilhamos mais da nossa vida e de nós do que seria desejável ou até saudável. Ainda precisávamos de sermos mais nós.
Só isso. Apenas isso.
Tudo o resto, entre nós, julgo ser tão perfeito quanto a condição humana o permite.

O blog foi inundado por uma praga de lixo em forma de comentários anónimos.
Tentei uma solução para os deter (e tenho que apagar os que por aí estão, mas o tempo é pouco e agora apetece-me aproveitá-lo com outras coisas). Veremos se resulta...

Chegou o Outono e, ao contrário da maioria das pessoas, gosto dele.
Tivessemos nós os três o nosso "casulo" pronto a habitar e seria uma maravilha: os doces e as compotas, os primeiros chás quentinhos, as mantinhas para nos aninharmos os três aos serões ou nas primeiras tardes de chuva...
Mas não está pronto e ainda está demasiado calor.
Sonhar não custa...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Este fim de semana

Este fim de semana (alargado) rumámos ao norte. Ao norte mesmo. À fronteira.
Este fim de semana visitámos amigos que não via há anos, bebemos vinho verde fresco ao jantar e deambulámos por uma fortaleza de conto de fadas só nós os três. Subimos ao Monte de Faro que é tão alto que as luzinhas que se avistam de lá, lá em baixo, nos parecem o céu cheio de estrelas, invertido.
Este fim de semana passámos o rio Minho pela ponte velha de Valença e passeámos pela costa recortada e verdejante da Galiza.
Este fim de semana levámos a M. ao Santiago e ela avançou, determinada e alegre, com passos largos (e segura apenas por uma das mãos), pela Catedral fora, e abraçou-se a ele, como se o conhecesse desde o início dos tempos e sentisse umas saudades de séculos.
Este fim de semana passeámo-nos pelas ruas antigas de Santiago de Compostela, cheias de gente e vida de dia e de noite.
Este fim de semana a M. delirou com a tuna da Universidade de Compostela que, durante a noite, fazia uma serenata em frente à Catedral. Ria, dançava, batia palminhas e tentava acompanhá-los.
Este fim de semana, passeámos e vimos coisas até nos deitarmos sempre tarde exautos e felizes.
Este fim de semana a M. parecia ainda mais feliz do que parece ser todos os dias.
Este fim de semana o N. deu-me um anel muito especial.
Este fim de semana a M. começou a andar apoiada a objectos e não apenas pela nossa mão. Começou também a soltar-se das nossas mãos e a ficar em pé, equilibrada, por uns tempos até nos pedir, de novo, a mão para avançar.
Este fim de semana a M. disse Iesús. Assim mesmo. Claramente. Sábe-se lá como ou porquê. Mas disse.
Este fim de semana fomos ao berço da nação, visitámos o Paço dos Duques de Bragança, tirámos-lhe fotografias junto à estátua do Avô Afonso Henriques e junto à Pia onde foi baptizado, levá-mo-la a andar pelo castelo e ela juntou as energias para se divertir lá dentro e explorá-lo (dentro das suas capacidades).
Este fim de semana andámos pela parte velha (e linda) de Guimarães.
Este fim de semana encerrámos a época de passeios de Verão.
Este fim de semana, foi nosso.
Este fim de semana foi cheio de coisas só boas. E nossas, pois.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Estreias

A M. tomou, hoje, o seu primeiro banho de mar.
O primeiro a que se pode chamar, realmente, um banho.

Entrou, mar a dentro, segura pelas duas mãozinhas, mas com passos confiantes. Não se assustou, nem com a temperatura da água, nem mesmo com as ondas, e fui eu que tive que contrariar o seu avanço para além do nível de água pelo peito.
E chegada cá fora, lá se voltava outra vez, e avançava, sorridente, para dentro de água.

Uma valente!

Férias

Em férias, desde sábado passado. E a cruzar os dedos para que as coisas tristes e más tenham, todas, ficado para trás.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Saudade

Ufa
13-10-00 - 31-07-09

Saudade apenas; porque ainda não consigo dizer mais nada acerca dela.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Deste país (ou de mim)

Desde que a Mafalda nasceu (até antes, na verdade), que estou como a minha prima esteve, i.e., se me perguntarem a profissão devo responder: mãe.
Mãe a tempo inteiro, 24 horas por dias, sete dias na semana, sem intervalos nem interrupções. E podia fazê-las, sim. A M. tem familiares ansiosos por tê-la para eles, e têm-na, mas por bocadinhos apenas, e a responsabilidade toda recai, até hoje, sobre mim (com uma boa ajuda do pai, quando necessário). Nunca outra pessoa lhe deu um almoço, um jantar ou o leitinho antes de dormir.

E desgasta, sim. Mais uma vez, estranho as mães que apenas relatam maravilhas da sua experiência.

Desgasta-nos, é um esforço que sai de nós, consome-nos até, um bocadinho. Às vezes tenho a sensação que me estou a dar, literalmente, aos bocadinhos à minha filha. Faço-o por opção, é um facto. É uma redundância dizer, porque já disse que é uma opção, que não faria as coisas de outra forma, sendo-me dado a escolher.

Porque, se por um lado desgasta e consome-nos, por outro lado, ainda não vivi nada de tão gratificante. Se eu sinto dar-me aos bocadinhos à minha filha, bocadinhos esses que não voltam mais para mim, justamente porque foram dados, por outro lado, sinto-me, constantemente, a receber dela, e a receber muitíssimo.
Sinto falta de uma outra vida, de leituras, de conversas, de tempo, de liberdade. E, no entanto, tudo isso junto continua a parecer muito pouco comparado com o que eu vivo com ela.
Volto a dizer, e podia sublinhar, que estar com ela a tempo inteiro tem sido a melhor coisa da minha vida.

Mas o tempo passa, vamos para férias e, quando chegar a altura de regressarmos, vai faltar pouco tempo para ela completar o seu primeiro aniversário. É altura de retomar as outras áreas que ficaram para trás durante este tempo, até porque o esforço financeiro não pode ser só do N.

Por isso há que ponderar as hipóteses e é aqui que não entendo o país que é o meu e que, também, não trocaria por nenhum.

Em primeiro lugar, ficar a cuidar dos filhos é um trabalho. É uma função útil, nobre, e que trás benefícios não só para os próprios, como também para a sociedade. Não entendo (ou entendo. mas lamento, mesmo assim) que, para a esmagadora maioria das mães, a opção de ficar a cuidar dos filhos até aos três anos (já que essa é a idade em que coincidem as opiniões de pedopsiquiatras, pedriatras, pais, educadoras de infância, and so on, a partir da qual a criança começa a receber benefícios em frequentar um infantário e deixar de estar em casa), que essa opção, dizia eu, não seja sequer uma opção. Nem mesmo no primeiro ano de vida dos filhos. E porquê? Por questões de dinheiro, números. Porque o Estado não reconhece essa tarefa como trabalho digno e efectivo, e digno de ser remunerado.

Não entendo ainda outra coisa.
Quando acabei a licenciatura (no ramo científico. na Universidade do Estado com mais altas médias de ingresso), optei por tirar o mestrado (três anos) em vez do fazer as Pedagógicas (dois anos), porque isso me enriquecia mais, porque satisfazia melhor a minha vontade de aprender mais sobre a área que tinha escolhido, e porque - e isto é determinante! - me foi garantido que, seguindo esse caminho, teria sempre a possibilidade de dar aulas.
Acontece que agora me deparei com outra coisa, bem diferente.
Que não, que não senhor, que não posso nada dar aulas sem ter feito as pedagógicas. E que não importa nada as competências científicas, nem as várias cartas de professores a reconhecerem o mérito, nem as notas obtidas, nem nada de nada.
Não posso, sequer, dar aulas e comprometer-me a fazer as tais pedagógicas que eram dois anos.
E alguém me explica o que faço eu com o curso, se afinal não posso dar aulas, se neste país não há investigação e se não recorrer a uma boa cunha para entrar nos serviços culturais de alguma câmara municipal?!
Ora pois... depois de terem negado aquilo que me foi garantido, pelas leis do país, quando acabei a licenciatura, resta-me fazer o que os professores nos aconselhavam: criem o vosso próprio emprego.
Pois sim! Como se isso fosse fácil...!

Verdade que, por mim mesma, e por conversas como a que tive no fim de semana com ela, e por coisas que leio, eu também preferia trabalhar em casa (ou algo parecido com isso), de forma mais independente, de modo a continuar a acompanhar a Mafalda.
Verdade que sim. Mas lá que não entendo este país... não entendo! A ele... ou ao que têm feito dele!