terça-feira, 4 de agosto de 2009

Saudade

Ufa
13-10-00 - 31-07-09

Saudade apenas; porque ainda não consigo dizer mais nada acerca dela.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Deste país (ou de mim)

Desde que a Mafalda nasceu (até antes, na verdade), que estou como a minha prima esteve, i.e., se me perguntarem a profissão devo responder: mãe.
Mãe a tempo inteiro, 24 horas por dias, sete dias na semana, sem intervalos nem interrupções. E podia fazê-las, sim. A M. tem familiares ansiosos por tê-la para eles, e têm-na, mas por bocadinhos apenas, e a responsabilidade toda recai, até hoje, sobre mim (com uma boa ajuda do pai, quando necessário). Nunca outra pessoa lhe deu um almoço, um jantar ou o leitinho antes de dormir.

E desgasta, sim. Mais uma vez, estranho as mães que apenas relatam maravilhas da sua experiência.

Desgasta-nos, é um esforço que sai de nós, consome-nos até, um bocadinho. Às vezes tenho a sensação que me estou a dar, literalmente, aos bocadinhos à minha filha. Faço-o por opção, é um facto. É uma redundância dizer, porque já disse que é uma opção, que não faria as coisas de outra forma, sendo-me dado a escolher.

Porque, se por um lado desgasta e consome-nos, por outro lado, ainda não vivi nada de tão gratificante. Se eu sinto dar-me aos bocadinhos à minha filha, bocadinhos esses que não voltam mais para mim, justamente porque foram dados, por outro lado, sinto-me, constantemente, a receber dela, e a receber muitíssimo.
Sinto falta de uma outra vida, de leituras, de conversas, de tempo, de liberdade. E, no entanto, tudo isso junto continua a parecer muito pouco comparado com o que eu vivo com ela.
Volto a dizer, e podia sublinhar, que estar com ela a tempo inteiro tem sido a melhor coisa da minha vida.

Mas o tempo passa, vamos para férias e, quando chegar a altura de regressarmos, vai faltar pouco tempo para ela completar o seu primeiro aniversário. É altura de retomar as outras áreas que ficaram para trás durante este tempo, até porque o esforço financeiro não pode ser só do N.

Por isso há que ponderar as hipóteses e é aqui que não entendo o país que é o meu e que, também, não trocaria por nenhum.

Em primeiro lugar, ficar a cuidar dos filhos é um trabalho. É uma função útil, nobre, e que trás benefícios não só para os próprios, como também para a sociedade. Não entendo (ou entendo. mas lamento, mesmo assim) que, para a esmagadora maioria das mães, a opção de ficar a cuidar dos filhos até aos três anos (já que essa é a idade em que coincidem as opiniões de pedopsiquiatras, pedriatras, pais, educadoras de infância, and so on, a partir da qual a criança começa a receber benefícios em frequentar um infantário e deixar de estar em casa), que essa opção, dizia eu, não seja sequer uma opção. Nem mesmo no primeiro ano de vida dos filhos. E porquê? Por questões de dinheiro, números. Porque o Estado não reconhece essa tarefa como trabalho digno e efectivo, e digno de ser remunerado.

Não entendo ainda outra coisa.
Quando acabei a licenciatura (no ramo científico. na Universidade do Estado com mais altas médias de ingresso), optei por tirar o mestrado (três anos) em vez do fazer as Pedagógicas (dois anos), porque isso me enriquecia mais, porque satisfazia melhor a minha vontade de aprender mais sobre a área que tinha escolhido, e porque - e isto é determinante! - me foi garantido que, seguindo esse caminho, teria sempre a possibilidade de dar aulas.
Acontece que agora me deparei com outra coisa, bem diferente.
Que não, que não senhor, que não posso nada dar aulas sem ter feito as pedagógicas. E que não importa nada as competências científicas, nem as várias cartas de professores a reconhecerem o mérito, nem as notas obtidas, nem nada de nada.
Não posso, sequer, dar aulas e comprometer-me a fazer as tais pedagógicas que eram dois anos.
E alguém me explica o que faço eu com o curso, se afinal não posso dar aulas, se neste país não há investigação e se não recorrer a uma boa cunha para entrar nos serviços culturais de alguma câmara municipal?!
Ora pois... depois de terem negado aquilo que me foi garantido, pelas leis do país, quando acabei a licenciatura, resta-me fazer o que os professores nos aconselhavam: criem o vosso próprio emprego.
Pois sim! Como se isso fosse fácil...!

Verdade que, por mim mesma, e por conversas como a que tive no fim de semana com ela, e por coisas que leio, eu também preferia trabalhar em casa (ou algo parecido com isso), de forma mais independente, de modo a continuar a acompanhar a Mafalda.
Verdade que sim. Mas lá que não entendo este país... não entendo! A ele... ou ao que têm feito dele!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Agora que é Verão...

Agora que é Verão e que a maioria das pessoas se desliga destas coisas da internet em favor de actividades tipicamente desta época, apetece-me mais escrever aqui. Porquê não sei. Mas imagino que, de entre as várias explicações possíveis, não se deva encontrar a ser do contra.

Escrever coisas assim de rajada, por impulso, sem serem pensadas, na maioria dos casos sem grande profundidade nem importância.
Contra isso está o facto de não estar muitas vezes, agora, à frente do computador.

Não escrevi um bocadinho antes porque estava suspensa, com a intenção de fazer as coisas arrumadinhas, com ordem cronológica e, por isso, arrumar o capítulo do baptizado. Mas o meu computador está contra mim e não me deixa mexer nas fotogarfias (sim, ia deixar aqui, com o texto, uma fotografia - discreta - desse dia). Ou ele está contra mim ou eu não tenho mesmo a miníma queda para estas andanças - que é o mais provável - e o meu tempo é mesmo o do curso que tirei, e nem ter em casa um informático, coordenador de um curso de multimédia, me salva. Enfim... é o meu karma.

E já que o tempo da História parece ser o meu, escreverei sobre o baptizado numa outra ocasião, porque qualquer ocasião é, afinal, boa, para falarmos das coisas que são importantes para nós.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Lembrete

Vir aqui, logo que tenha tempo, e me veja livre de comemorações de casamentos e coisas assim, registar que e M. foi baptizada e que se portou como uma crescida (bom... isto se conseguir não me lembrar que as birras que existiram foram feitas por adultos, e com responsabilidade), que a cerimónia correu lindamente, que o dia estava radioso, embora muito quente, que o almoço também não correu mal, e que tive a ajuda preciosa de duas fadas madrinhas ( não estou a falar dos padrinhos da M.), uma das quais se fartou de tirar fotografias.

Não me esqueço, eu sei.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Melodias


Dizem que devemos dar a ouvir música clássica aos bebés. Estam, cientificamente, comprovados os benefícios, e pediatras, educadores, investigadores... todos são unanimes.
Não sei se o mesmo se aplica ao género que a antecedeu: a música barroca. Não sei, mas sei que eu gosto. E, mesmo não a ouvindo tão frequentemente quanto até gostaria, quando tenho ocasião, faço-o com a M.

Ela própria mais barroca do que qualquer outra coisa (especialmente nas birras que faz), interrompe muitas vezes as sessões de guinchos estridentes e esperneares desesperados e fica quietinha, quietinha, muito atenta à música (como agora), e muitas vezes, ri-se, dá saltinhos e palra, satisfeita.

Gosta, e muito.
Arriscava dizer que o seu compositor preferido é o Johann Pachelbel e aquela música de que eu, há tempo, falei aqui, aquela que parece dar-nos asas e fazer subir aos céus, aquela que nos faz flutuar e ver anjos é, definitivamente, a música dela.
Sim, esta é a música dela! Esta é a música da Mafalda, esta é ela própria, em forma de notas musicais. E acaba de adormecer, tranquilamente, ao colo, a ouvi-la...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A pequena... # 2

A pequena está cada vez maior, sim senhora.
Demora, agora, uma eternidade para comer, e para o fazer tem uma trupe de artistas cómicos que actuam conforme os dias da semana.
Se estiver muito desperta, não quer lanchar. O mesmo se aplica ao pequeno-almoço mas, em compensação, resolveu que nada melhor, durante a noite, do que exigir, ruidosamente, leitinha entre as 4 e as cinco da manhã (onde vão aquelas noites santas que ela dava...??).
Não para de se mexer e de remexer em tudo o que apanha e, no dia da Mãe, resolveu brindar-me, para além da linda rosa branca que o Pai escolheu por ela para mim, com uma brilhante e estrndosa queda da nossa cama (e não é que ela não dava mais do que uma volta sobre si mesmo e, de repente, nessa noite, foi só virar as costas dois minutos, para ela o fazer?!).
Berra se fica sózinha meio ninuto, adormece tardíssimo de noite, acorda cedo e faz umas sestas que não dão nem para escrerver um mail à minha prima, por exemplo.
Faz uma guerra para se deixar vestir, mas fica eufórica quando vê o vestido de baptizado (vaidade feminina, já?!).

Mas está enorme, felicissíma, com umas bochechas que apetecem trincar e a cada dia mais melosa.
Está tudo bem, portanto!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A pequena...

(aos quatro meses)



...está grande! Tão crescida já!..

Pesa-me nos braços (e nas costas, ao fim do dia). Quer colo. Muito colo. E ri. Muito, também. É um doce e, sim, aquela frase feita, para lá de lamecha e pirosa, é verdade: gosto mais dela a cada dia, e não sei como é possível!

O cabelo está mais claro do que quando nasceu.


Já come papa e sopa (muita sopa). E frutinha, em puré, à sobremesa.
Adora sopa.
Não gostou tanto da fruta, à primeira impressão, mas vai-se habituando já.

O tempo não corre: voa!
Já vai tendo horários de gente crescida. Almoço e janta, e dorme a sesta.

Aos quatro meses, pu-la em cima de um cavalo pela primeira vez e, pela primeira vez também, percorreu (bem apoiada) uma pequena (pequenissíma) distância em cima do dito animal.

Não tem medo e demonstra gostar. Toda ela é desenvoltura, à-vontade e alegria.

Temos as férias marcadas e, este ano, volto à minha praia. Este ano já com ela! E parece que volto, eu mesma, a ser pequenina e a ver-me a chapinhar nas pocinhas e a fazer amigas (que, felizmente, mantenho até hoje).
Outra parte das férias, será outra coisa: à maneira do pai. São as cedências necessárias à vida em família.

O baptizado já está marcado. Igreja, padre, padrinhos, dia, hora...
Queria que tivesse sido muito antes. Queria baptiza-la pequenina, pequenina mesmo, ainda deitadinha no meu colo, com o vestido de baptizado do meu avô.
Não foi assim. Ela cresceu, depressa e muito. Claro que é menina de colo, mas gosta de estar de pé, sempre. O tempo passou e o vestido que foi do meu avô serve-lhe ainda, mas não como devia. Já não lhe cai abaixo dos pézinhos.
O vestido não será, pois, o tal vestido do meu avô, que sempre pensei vestir-lhe, anos e anos antes dela nascer, mas um outro, comprado pela madrinha (tia paterna) e, dadas as circunstâncias, mais adequado à fase em que ela já se encontra.

As cedências necessárias, de parte a parte, mais uma vez. Sem que eu compreenda bem os hábitos dele (ou da família de onde é oriundo), e sem que ele entenda bem os meus. Mas com boa vontade de um e outro.

A lista de convidados está definida. E é limitada.
Não é o baprizado que eu queria. Não é a lista que eu queria.
Quero que estejam presentes todas as pessoas que lá estão, mas faltam-me algumas outras.

A pequena, cresce a olhos vistos.
E o tempo não corre: voa...





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Breves

Existem quatro computadores nesta casa, mas apenas um modem de ligação net. E existem o Pai que precisa, por razões profissionais, prioritáriamente dela, e existe uma égua que reclama a atenção que não lhe dei durante a gravidez e os primeiros tempos da Mafalda, e existe a família que existia (que não exige menos do que a égua) e até mais família - pois claro! -, e o resto que se sabe, o resto, que é normal, e, acima de tudo, tudo, tudo, uma filha que é um doce, que me quer para ela, o mais absolutamente possível, todos os minutos de todos os dias (mas dá umas noites santas, o meu tesouro!), e existo eu, que a quero também, mais do que tudo na vida, e que quero agarrar com as duas mãos e muita, muita força, cada momento precioso do crescimento dela, da jovem vida dela, dela, em suma.

Por isso... é assim... as passagens por aqui são, forçosamente, rápidas e, na grande maioria das vezes, silênciosas. Mas sinto-lhe também a falta. É indesmentível. Disto, de vocês.
Por isso... é assim... as palavras por aqui vão sendo assim... irregulares e breves, até que consiga fazer mais e melhor.

Mas uma coisa posso dizer, sem grandes floreados, alongamentos ou figuras de estilo: apesar de todos os precalsos, que, sem excepção, todas as vidas têm, posso dizer que sou feliz, com ela e o pai dela, sou feliz, sim, com eles.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A ler...

A ler isto.
A ler aos bocadinhos. Bocadinhos pequeninos, entre mamadas, fraldas, dar colo à menina...
E que bem que me sabe.

Bilhete de viagem para outra realidade, outro sítio e outro tempo. E, ao mesmo tempo, tão, tão familiar.
Meio fuga, meio reencontro.

Não, não é a primeira rainha de Portugal. Não gosto do título, porque, embora entanda a intenção com que foi escolhido, não é correcto e induz em erro. Mas é um bom livro. Embora não seja um livro de entretenimento.

[E como passei a apreciar mais os bocadinhos que consigo "tirar" para ler, agora que a M. nasceu...!]


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Etapas

A minha menina pequenina, a minha bebézinha, deixou hoje, em definitivo, de usar a alcofa.
Não, não é cedo. Há muito que não queria lá permanecer. Pelo menos não enquanto acordada. Há muito que tivemos de lhe comprar uma espreguiçadeira. Muito antes do que estavamos a contar.
Há muito que lá ficava apertadinha. Muito apertadinha (sim, que o percentil 90, não lhe permitia outra coisa).

Hoje peguei na alcofa e, de impulso, tirei as mantinhas e os lençóis cor-de-rosa, clarinhos, com bordado inglês e fitinhas. Não mais os vai usar. Nem aquele outro, branquinho, com o monograma, que a esperava quando viemos da maternidade. Nem nenhum outro, destes, mais pequeninos.

Peguei na alcofa, corri o fecho, e subi, escadas acima, até às águas-furtadas. Guardei-a ali, até a levar para a lavandaria, antes de a guardar de vez.

Hoje a minha menina pequenina, a minha bebézinha, deixou, de usar o seu pequeneno ninho, feito de encomenda, para ela.
Está a crescer e é bom. Mas fez-me chorar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Da chegada dela

No pequeno berço transparente que recebeu a minha filha quando nasceu, ao lado deste símbolo (diga-se em abono da verdade que, bonito e, feliz e estranhamente, conservado desde o tempo da fundação), havia escrito um Seja Bem Vinda Mafalda.
Mero pró-forma, dir-me-ão. Seja. Talvez seja mesmo apenas um formalismo simpático, um lugar-comum adocicado, um lampejo de calor humano no funcionamento maquinal das nossas instituições. Talvez seja apenas isso mesmo. Talvez o mesmo seja afixado à cabeceira de todos os recém nascidos em todas as maternidades em solo nacional e não apenas nesta. Mas nesta, e este é o ponto, o Bem Vinda, não está apenas impresso nesse cartãozinho que trouxe para casa comigo como (feliz) recordação de um momento tão importante.
Nesta maternidade, esse Bem Vinda é, realmente, verdade; praticado em cada gesto dos muitos profissionais que lá trabalham.


São muitas as vezes em que nos queixamos. Da vida em geral e das instituições que nos servem (ou deviam servir). Na maior parte das vezes essas queixas são apenas justas. A verdade é que, demasiadas vezes, somos mal atendidos, mal ajudados, mal tratados, mal esclarecidos… Enfim, a verdade é que muitas coisas não funcionam neste país, e quando se trata de estabelecimentos de saúde e, para mais, estabelecimentos de saúde públicos, a panorama é negro.
Mas o contrário também acontece. Afinal existem excepções. Felizes e meritórias excepções. E, nesses casos é justo que o reconheçamos.
Este é um desses casos.


Fui seguida nesta maternidade durante a gravidez. Aqui tive as consultas com uma obstetra que somava as qualidades humanas às profissionais, aqui fiz as ecografias, análises, rastreios bioquímicos, eco cardiogramas, ctg´s. Aqui tive a sorte de me instalar, sem sobressaltos e com calma, antes de iniciar o trabalho de parto (natural e rápido). Aqui, senti-me em casa, no melhor sentido da palavra. Segura com os meios disponíveis, confortável com as instalações, agradavelmente surpreendida com todo o pessoal que lá trabalha, desde obstetras, enfermeiras, anestesistas, serviço de recobro, senhoras da limpeza, senhoras da cantina, seguranças e até a senhora do Registo Civil, desde as Consultas Externas, ao laboratório de análises, às Urgências, ao Bloco de Partos e, finalmente, o Piso 3, onde bebés e mães são recebidos e amparados, na verdadeira acepção dos termos, nos seus primeiros dias.


O rigor com que nos assistem, a simpatia e calor humano, a eficácia com que trabalham, a excelência de todos os serviços é, realmente, inexcedível. Inexcedível e impagável.



O parto foi, de facto muito rápido, o que não significa indolor, mas foi o mais humano que se pode querer. Fui de tal modo bem atendida que quase diria que fui mimada, com festas na mão, palavras de simpatia e afagos.
A Mafalda nasceu bem e saudável. Vi-a nascer, foi logo colocada sobre mim, com aqueles olhinhos muito abertos e interrogadores, cuja imagem permanece na minha memória tão viva como no primeiro minuto, e foi o Pai que lhe cortou o cordão. Mamou logo, ali mesmo, e até no recobro a tive comigo.
Mimadas sim, fomos mimadas. Saudavelmente mimadas. No momento do parto e em todo o internamento.
O cuidado é tal que me telefonaram de lá dois dias depois de termos vindo para casa. O telefonema da praxe, para saber como ia, eu e ela. E para ajudar. Sim, mesmo para ajudar. Durou quase uma hora e aplacou muitas das minhas inseguranças de mãe de primeira viagem, nos seus primeiros dias com a bebé a cargo. Não, não foi um telefonema maquinal, era humano e caloroso, era, por medida, o que precisava no momento.


Tivesse eu a possibilidade de, se voltar a engravidar, ter o bebé em qualquer outro local – um qualquer em todo o mundo – e escolheria este mesmo.


Porque sim, porque há quem mereça agradecimentos; porque o Hospital Dona Estefânia merece. Por esse cartãozinho à cabeceira do berço, por esse Bem Vinda Mafalda, por o terem tornado tão, tão real. Obrigada!

domingo, 4 de janeiro de 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

Humm... Dizer o quê, na verdade?!
Não sei bem, admito. Mas 2008 está prestes a deixar-nos e, embora tenha andado particularmente caladinha neste ano, não quiz deixar de marcar a data.

Não faço balanços, aliás, como já não os fazia nos anos precedentes. Dizer o quê?!

Dizer que neste ano fui mãe e que me sinto infinitamente grata pela graça que ela representa. Que me sinto grata à vida, em suma. Muito grata. Mesmo que, por vezes não pareça, mesmo que por vezes me queixe, me lamente, mesmo que por vezes chegue mesmo a chorar.
Tenho uma familia maravilhosa. Sim, eu sei que é um lugar comum, mas é verdade.

Infinitamente grata, sim. Pela Mafalda, e pelo Pai dela. Por ter os meus pais, o meu irmão e os meus avós, por ter amigos.

2008 foi o ano mais atribulado da minha vida, mas também o mais importante. Bem vistas as coisas, e por mais que tenha dito outra coisa: o mais feliz!

Que 2009 seja, para todos, um ano cheio de paz, de saúde e de realização.

Um muito, muito feliz 2009!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal

Há um ano escrevi isto. E era a mais pura das verdades.
Este ano não há nada disso. Nada.
Não é de farinha e açucar que é feito o meu Natal. Não faço filhoses, nem mexidos nem, tão-pouco, haverá shortbread na mesa.
O pedaço de madeira que sobrou do lume da lareira da noite de Natal do ano passado não se irá juntar ao lume nesta noite de Natal.
O meu Natal, que era feito de farinha e açucar, este ano não o será.

Este ano, pela primeira vez em toda a minha vida, não passarei a noite de Natal com os meus pais e avós. Não os verei, sequer.
O Natal, dito festa da família, obriga a separações, afinal. A separações que ocorrem pela primeira vez e que custam a gerir.
Este ano, mais do que em qualquer outro, gostava de estar com eles. Com eles e com o meu irmão. E não estarei.

Não comprei um único presente.
Nunca gostei do excessivo consumismo associada à quadra. Hoje, mais do que nunca, isso desagrada-me.
Espero ter a capacidade para fazer entender à minha filha que o Natal não é isso, o Natal não são coisas, não é confusão. O Natal é tão outra coisa.
A ela, que é tão pequenina ainda que não entende, darei o pequeno crusifixo que recebi da minha Tia Maria, quando eu era pequenina. Não consegui pensar noutro presente para lhe dar que tivesse mais significado. Um dia ela há-de entendê-lo, por completo.

O Natal é a festa do nascimento de Cristo. E tão poucas pessoas o vivem como tal.
Muitas há que o comemoram mais como um Carnaval. E isso aflige-me.
Podia dizer-se que isso não é assunto meu, que cada um o vive como quiser

Há melancolia no Natal. Não a melancolia doce que aconchega. Há melancolia triste também, e esta é assim.
E, no entanto, há luz e esperança. E há o que comemorar.

Mas este Natal, tenho a minha filha. E no meio de toda a confusão da quadra, é isso que é importante. Ela existe e está comigo.
Esta noite, na passagem para o dia de Natal, hei-de tâ-la nos braços.
Ela é o melhor dos presentes que alguma vez poderia ter recebido, ela é o meu Natal e, apesar de tudo, ela, como todos os bebés, é o sinal de que o Natal, afinal faz sentido. Todo o sentido.

Feliz Natal!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Saudades...

Por mais idiota que possa parecer (e por mais irritante que seja para quem me lê, porque agora não falo de outro assunto), tenho umas saudades imensas da Mafalda recém-nascida, do tamanho 1 das fraldas, dos primeiros fatinhos que já não lhe servem, dela nos primeiros dias, dos olhinhos papudos ainda que pouco se abriam, do início de tudo.
Tantas saudades dela, pequenina, pequenina e, no entanto, ela tem apenas um mês e meio, mas já tão diferente de quando nasceu.
Que saudades já!

[E como se pode gostar sempre mais um bocadinho deles, em cada dia, quando já os Amamos muito para além do possível, desde o primeiro segundo ?!]