
Just like heaven. Porque sim, porque a Katie Melua assenta bem em noites de Inverno. Apenas por isso. Nada biográfico, portanto.
Por acaso, até nem me sinto nada perto do céu. Também já há muito tempo que não me sentia assim, que não me sentia tão longe dele (do céu).
Ontem fui. E não foi preciso mandarem-me. Fruta da época: a garganta. E mais um extra, esse sim, mais doloroso, uma inflamação num nervo (a que ontem chamei, repetidamente, musculo).
Quando era pequenina ficava sempre um bocadinho triste porque na minha cabeça, aquela estória do novo ano, bebé, e do velho ano, velhinho e cansado, vergado pelo tempo, que nos deixa, sem que ninguém se compadeça dele, tinha o seu efeito em mim.Passados os anos, e sabendo muito bem que não existe velhinho nenhum (nem bebé nenhum, também), fica sempre uma nostalgiazinha pelo ano que nos deixa. Gosto do 7. Gosto do número. É até um número cabalistico, tem um significado especial. Chegada ao final deste ano, sei muito bem que tem um significado muito especial mesmo. Mas isso é pessoal.
Não foi um ano fácil. Já não me lembro de quando tive um ano fácil, também. Mas isso não me importa. Se mo perguntassem agora, diria que foi o mais duro de toda a minha vida. Mas não digo, porque talvez o tempo suavize as dores e as memórias, e daqui a algum tempo, tudo quanto ainda tem arestas tão asperas se torne mais suportável. Há perdas que não se podem compensar (mas que, com ajuda, afinal, se podem adoçar um bocadinho). E, infelizmente, só quando elas acontecessem nos deparamos com a dimensão inimaginável que têm.
Conquistada pelo que o ano de 2007 me trouxe, conquistada pelo que me tirou, conquistada com o que ficou, e ficará sempre, depois de tudo; desta vez, acolho de boa vontade e braços abertos este 2008. Sem euforias, mas sem amarguras. Em paz.
