quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Breves

Voltei.
Estou exausta.
Apetece-me croissants de chocolate, quentinhos. Também me apetece, muito, ir já deitar-me.
O que me apetecia mesmo eram croissants de chocolate, quentinhos, comidos na caminha.
Como não os tenho, e antes que pense tanto no assunto que se torne penoso, vou mas é deitar-me. Até porque estou de tal forma cansada que devo adormecer em dois minutos e amanhã nem hei-de lembrar-me que agora uns croissants, mas de chocolate, e quentinhos, eram uma coisa muito importante.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ilumina-me


Gosto de ti como quem gosta do Sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p´ra mim


Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p´ra ti


Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, ilumina-me.


Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós


Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, ilumina-me.




Porque há músicas que são também poesias.

E enquanto isso, enquanto me sinto como um ratinho às voltas dentro da gaiola, entontecido e com falta de ar, vou aproveitar um pretexto de semi-trabalho para sair um bocadinho da fronteira deste nosso rectângulozinho. Dois dias, três...

Até já!

Medos

(D. Quixote)

Nós mulheres sentimos coisas. E se as sentimos, elas são reais. O que se sente existe, quanto mais não seja, dentro da pessoa que sente.
E é do que sinto mas não vejo que tenho medo.


Não tenho medo das ondas grandes no mar. Elas mostram-se, são frontais. Podemos medir-lhes a força e a intenção. Podemos perceber se nos podemos juntar a elas ou se, pelo contrário, são uma ameaça. E mesmo quando o são, estão ali à nossa frente, tal como são. Francas. Com elas sei lidar.

Tenho medo das correntes.
Não se conseguem ver e, no entanto, muitas vezes estão lá.
Entramos na água, tranquila à superfície, a brilhar ao Sol, convidativa e, muitas vezes elas estão lá. Todo o mar as tem, em alguns dias, em algum ponto.
E elas sentem-se, mas não se conseguem ver. Sentem-se e existem. Existem e são poderosas. São poderosas, subterrâneas e perigosas. E sim, existem.
É do que não vejo, mas sinto, que tenho medo.

É o que se esconde e disfarça e camufula que temo.
É com essas coisas que não sei lutar e são elas que me podem fazer mal.

sábado, 10 de novembro de 2007

Creio...

Ao ouvir hoje, por acaso, de passagem no super-mercado e entre duas pessoas que não conheço de lado nenhum, a conhecida expressão portuguesa, Querer é poder, fiquei a pensar se, neste caso, se escreve querer ou crer.

É que embora assumisse, sempre que a ouvi, que se tratava do verbo querer, não vejo razão nenhuma para que não se trate, afinal, do verbo crer que, numa escala muito minha, é ainda mais especial do que o primeiro (e mais raro!).
E, cá para mim, o que o povo queria dizer na sua sabedoria simples e pragmática devia ser mesmo as duas coisas.

Dever ser preciso querer e crer. Ou, mesmo que não seja preciso, será, certamente, muito melhor assim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Eu...

Eu... até há um pouco mais de um ano (acho, eu) quando estava mesmo aborrecida, mesmo em dia não, quando alguma coisa me fazia sentir mesmo mal. Mas mal, assim para o aborrecida, contrariada, impotente perante alguma coisa que me afligisse, injustiçada ou espectadora impotente de injustiças sob terceiros, desesperada e coisas assim nesta linha, atirava coisa às paredes. De preferência coisas que se partissem. E que se partissem tão sonoramente quanto possível.

Agora... curo estes estados (ou, pelo menos, apláco-os) de um outro modo: lavo roupa ou loiça (mas tem de ser à mão, que as máquinas nestas ocasiões não servem para nada), lavo chãos, arrumo armários, estendo roupa (ainda não me passou a mania de escolher as molas por cores, de acordo com a peça de roupa, mas a minha Mãe diz que isso um dia há-de passar), sacudo tapetes e faço doces. Cozinhar outra coisa não serve tão bem como se forem doces, como se o açucar anulasse os azedos.

Pode ser estranha esta forma de acalmar, mas se evolução tivesse sido ao contrário seria pior. Especialmente para quem me rodeia.

Adenda: Uma amiga insistiu para que referisse que eu não atirava coisas à parede com muita frequência. E é verdade. Fazia-o muito raramente. E que, para além disso, também faço estas coisas de muito boa vontade (irónicamente) quando estou bem disposta. Se bem que, quando estou bem disposta, posso juntar-lhes mais umas tarefas de maior minúncia. E ainda me compete dizer que hoje não estou mal disposta com ninguém, apenas um bocadinho ensonada.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Polaris


Polaris; é assim que ela se chama. Ou North Star, ou Estrela Polar ou outros nomes ainda.

Nestas noites límpidas e frias que este Outono nos tem oferecido o céu é mais brilhante do que em qualquer outra altura. Mais brilhante e mais transparente.
Tanto, que vale a pena desafiar o frio da noite e perdermo-nos de olhos postos nas estrelas.

A primeira que procuro é sempre ela, a Estrela do Norte, mas é sempre a constelação de Cassiopeia que me salta à vista. É fácil encontrá-la e identificá-la. E para além dela, outras.

Mas a ela, à Estrela Polar, não encontro como toda a gente faz. Olho para o céu e escolho uma estrela. A Estrela Polar é a estrela que eu escolher, a mais bonita, a mais brilhante, a que eu sentir que sim. Pelo menos é a estrela que marca o meu polo e é isso que conta.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Lugares

Lá em cima é assim. Chega-se, e é-se recebido primeiro pelos saltos entusiasmados do Soajo, bom e fiel cão de guarda.
De seguida, vem a E. à porta, quase sempre de pano na mão, vinda da cozinha. Ri-se e avança em nossa direcção de braços e sorriso abertos e repetindo, embevecida: ...as minhas meninas...
Abraça-nos de forma decidida, larga-nos, afasta-se um pouco para nos avaliar e diz sempre que estamos magrinhas e a precisar de descanso e das comidinhas que faz. Muitas vezes estamos mesmo. Não magras, mas a precisar de descanso e das suas comidinhas, já para não falar dos seus mimos.
Depois volta a abraçar-nos e de seguida empurra-nos para dentro de casa.

Uma boa parte das vezes que lá vamos (sobretudo eu), é para curar feridas da alma. E ela adivinha-as no caminho que faz da porta, até ao carro.
Desta vez parou antes de nos abraçar pela primeira vez. Os olhos vermelhos de horas de choro, de dias (de semanas, de meses já), das suas meninas não enganavam. E bom mesmo foi poder dizer-lhe a que se deviam, sem medos nem rodeios. Lá, podemos sempre ser quem somos, sem esconder nada nem medo de julgamentos ou penalizações.
Benzeu-se com a convicção e força que as mulheres do Minho guardam. Pronunciou um Deus os guarde, de olhos postos no céu, e empurou-nos para a cozinha com determinação. E só depois de nos por à frente duas chavenas de chá de lúcia-lima, da horta, lhe vimos umas lágrimas na cara. Tentou disfarçar mas saltamos-lhes as duas para o seu pescoço. Estranho, mas é ali que me sinto em casa.

Durante esse fim-de-semana cuidou das suas meninas. Enquanto ia repetindo que não achava bem que estivessemos ali sózinhas. Levou-me o pequeno-almoço à cama enquanto se queixava que a cama era demasiado grande só para mim. Percebia bem o que queria dizer, mas aquela cama é a mesma onde sempre fiquei. Depois sentou-se na cama, deu-me um abraço demorado e passou-me a mão devagar pelos cabelos. Eu senti-me com cinco anos. Ela riu-se e disse que afinal se eu não estivesse sózinha não se sentiria à vontade para estar ali a dar-me mimo. A sabedoria de retirar as coisas boas de todas as situações...

Ela e aquela casa enorme de granito são uma fortaleza e, o mesmo tempo, um ninho.

E, não muito longe dali, a Lapela, sólida e protectora, agora como no Sec. XII, quando nasceu e foi menina. Quando o Lourenço de Abreu a contruiu, e quando o D. Afonso Henriques lhe deu um destino e uma função, ela protegia de outros males mas, 900 anos depois, continua a estender a sua sombra protectora aos netos de quem lhe deu origem. Outros tempos, outros males...

E o rio Minho, mesmo, mesmo aos seus pés, e a água fria, boa para os peixes. E os seixos que vou pisando até me esquecer do frio da água, e me atirar lá para dentro. No fim de semana passado, o Sol ainda reconfortava com o seu calor à saída da água. Às vezes (quase sempre), acho que aquelas águas são milagrosas.

E o tempo levou uma eternidade a passar, de um modo. E escorreu-me por entre os dedos, de outro.
Não queria ter voltado. Nunca quero. Sempre, desde pequena, achei que o meu caminho era mais para Norte. Não sei onde ainda. Mas mais para Norte, sempre soube que era.

Dizem que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes. Eu acho que há lugares onde devemos voltar sempre. Sempre.
Felizes, ou infelizes. Com energia ou cansados. Com sorrisos ou com lágrimas. Sózinhos ou acompanhados.
Há lugares onde se deve voltar sempre. E mesmo quando se parte, devemos levá-los sempre connosco.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Tesouros

Se ocorresse uma catástrofe e só pudesse salvar um número muito restrito de objectos, tão pequeno que pudessem caber num bolso, levaria estes.
E levaria sempre esses, independemente do número e das dimensões dos objectos que tivesse oportunidade de salvar.

Um vestido de bebé que me foi dado pelo meu Avô, pouco antes de morrer, que lhe tinha sido dado pela Avó dele, e que ele chegou a vestir.
Um terço que encontrei, acidentalmente, quase completamente enterrado num páteo de cá, e que me foi dito depois que tinha sido da minha Trisavó, de quem herdei o nome.
Uns brincos de ouro, que foram dessa mesma trisavó que, por sua vez, os tinha herdado de uma Avó.
Uma vieira, cuja história não revelo aqui.

E se tudo parece remeter para um passado, encerrado, nada é mais ilusório.
Podia discorrer longamente acerca do que cada um me diz e dá, mas isso, para além de ser demorado, é excessivamente privado para o fazer aqui.
Todos eles, à sua maneira, são bem o contrário disso. Sinal de que existe em tudo uma linha de continuidade, que os caminhos são longos, que tudo é complementar, que há ciclos longos e ciclos curtos, que há uns que se fecham, finalmente. Que há um sentido para as coisas, e que ele, a seu tempo, se tornará claro.

Nestes objectos estão, provavelmente todas as respostas de que preciso, incluindo uma que diz que não vale a pena querer saber tudo de uma vez, nem tentar agarrar o mundo todo de repente, que cada coisa acontece por um motivo e que, a seu tempo, tudo se encaixa num puzzle, finalmente, completo. Um dia...

Eram os objectos que salvaria.
Não eram os mais úteis. Na verdade, do ponto de vista prático, não teriam qualquer utilidade.
Também não eram os mais valiosos. Se excluirmos os brincos, o valor económico de todos eles é absolutamente insignificante. Incluíndo das rendas do vestido, apesar de serem finíssimas rendas trazidas da Flandres, do tempo em que tudo era trazido a cavalo. E mesmo os brincos, não são, de todo, a joia mais valiosa que existe em casa.
Mas são os mais importantes para mim. Os que me fazem falta. E cada um de nós, lá terá os seus tesouros, os principais dos quais nem serão visíveis.

Renascimentos

Para mim, para ele, e paz para o terceiro elemento.
Sendo que aqui não há primeiros, segundos e terceiros. Ou o terceiro é um segundo exequo. Ou então é um primeiro exequo.
Mas o elemento que não está exequo com os outros dois é que é o primeiro, afinal de contas, mesmo que seja o terceiro cronológicamente.

Renascimento, e ponto final.
Que é disso que se trata. Um certo tipo de renascimento, mas um renascimento assim mesmo.

[Post (aparentemente) confuso, efectivamente intrincado, hermético e muito privado. é, um dos mais sentidos de sempre, e julgo que não corro grandes riscos de errar se disser que é o mais sentido de todos, até hoje]

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Do fim-de-semana

Os meus lugares preferidos. Meus lugares, de facto. Ou, mais exactamente, lugares a que pertenço. Já não ia lá há mais de um ano.
E uma amiga que é uma verdadeira irmã.

E, ainda assim, um dos mais difíceis da minha vida. É o que há a contar.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Eternum

Esta música é a mais bonita do mundo (tens razão Gralha, é das coisas mais bonitas do mundo, a par dos sorrisos de quem amamos, pois). Não tenho muita paciência para as coisas doYou Tube, mas esta vale a pena.

Ouço-a, como sempre, desde há tanto tempo que nem tenho já memória, de olhos fechados. E vejo sempre luz, uma luz muito brilhante, e um céu muito azul e as asas de um anjo por cima de nuvens fofas e brancas. Sempre isto. E acho sempre, enquanto a música não acaba, que estou a subir para lá, para esse céu muito azul, e essa luz muito brilhante, na companhia desse anjo, a quem nunca vi o rosto. E a paz, a leveza... são indescritíveis.

As lágrimas e os sorrisos sempre se misturaram com esta música, em simultâneo, porque as lágrimas nem sempre são de tristeza.

Mas hoje queria ouvir esta música sem parar, entrar na Igreja de Santa Maria Maior, em Barcelos, atirar-me para o chão em frente à imagem da Nossa Senhora da Franqueira e desfazer-me em lágrimas até à última célula, ao último átomo. E entranhar-me para sempre, invisível, naquele chão.

E a alma, finalmente leve, que seguisse esse anjo e não voltasse nunca.

Porque há momentos em que não podemos mais e eu não consigo mais fingir o contrário. Aceito a minha fraqueza e rendo-me.

[Quase] Exclusividades

Encontrei, por acaso, uma senhora de uma aldeia escondia de Trás-os-Montes. E encontrei-a por detrás de um tear com muitos anos, a tecer um tapete como se fazem há séculos, com a lã dos rebanhos que pastam por aquelas serras de clima agreste, tingida e fiada como há séculos.
Encontrei-a por acaso, aqui pertinho, com esse tear. Amanhã volta ao seu sítio. Hoje perdi [ganhei] mais de uma hora, enfeitiçada por aqueles movimentos e embalada pela sua conversa ritmada e suave.

Deparei-me com um tapete grande, feito assim, e foi amor à primeira vista. Quero um desses para mim, talvez um nadinha maior. Mais tarde, porque agora não tenho onde o pôr.

A aldeia, que ninguém conhece, conheci-a eu, logo no ano em que comecei a trabalhar na tese de mestrado. Encontrei-a num pergaminho muito amarelicido pelos seus mais de setecentos anos. O nome era muito estranho, fixei-o.
Encontrei-a depois, muitas mais vezes.
Conheço-a tão bem que a senhora se admirou com o meu sorriso quando me disse de onde era: De X?! conheço tão bem!
Pois, conheço. Muito bem. Mas nunca lá estive. Mas conheço-a de olhos fechados, há séculos. Se calhar continua quase igual.

Os tapetes são lindos, os materias são os melhores, a forma como são confeccionados uma preciosidade e o sítio onde são feitos, um paraíso perdido. Os preços, até são baixos.
Eu quero um para mim, pois. Mais tarde. E hei-de ir lá buscá-lo, àquela senhora tão simpática, àquele sítio tão longe, onde nunca estive mas conheço tão bem.
Quero um tapete desses e nenhum outro, porque há coisas que se encaixam como peças de puzzles, como se tivessem sido destinadas assim e não de outro modo, mesmo que seja apenas um tapete.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Aldeia

E depois venham dizer-me que o mundo não é uma aldeia.
O mundo todo. Com o mundo virtual, inteirinho, lá dentro.
Não é uma aldeia, é uma aldeola.

Vão lá ver o post do dia 27 de Setembro, deste senhor, e depois digam que não é assim.

(Por acaso nunca entrei numa sala de chat. nunca senti necessidade, nem sequer, a menor curiosidade. E, por mais do que um factor, cada vez menos. O que muito me tranquiliza.
Ou, se calhar, o que há a sublinhar daquilo, é a dificuldade que muitas pessoas têm em comunicar. O que se atendermos ao facto de que todas as relacções, em geral, e os casamentos em particular, terem de ser construidas e assentarem os seus alicerces nisso mesmo: na comunicação (para além dos afectos, claro) e na capacidade que ela gera de se chegar a um entendimento e a um ponto de convergência, então não nos podemos admirar dos descalabros que vemos acontecer. E o que é curioso, é que eles até conseguiam entender-se. Curioso, para não dizer desconcertante. Assim o tivessem tentado.
Desconcertante, ou trágico? Bom... isso daria uma longa conversa.
Porque as harmonias e cumplicidades não caiem do céu no nosso colo. Ah, pois, e como disse à criança, eu não tenho marido, mas relacionamentos temos todos e há verdades muito evidentes.)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Das vindimas

Este ano não há fotografias destas, o ano não nos brindou com esta metamorfose das folhas de verde para vermelhos brilhantes.

E também não haverá posts como este ou este.

Porque eu ando cansada, porque o ano decorreu de outra forma, porque a colheita não é, nem em quantidade nem em qualidade, nada de admirável. Porque nestas coisas, a natureza funciona assim e se há coisa que aprendi nestes anos, foi a respeitar estes ciclos. É assim, naturalmente, sem dramas, nem inquietações, nem queixas. Se calhar, também, porque se instalou alguma habituação, alguma rotina e algum distânciamento emocional.
É assim, calmamente. E a calma, em si mesma, sabe-me bem.


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Eu e o CCB


Este é um post um bocadinho para o maldizente, porque o é. Tenho de o admitir.
Eu até gosto do CCB, confesso. Polémicas à parte, eu gosto do edifício, gosto da arquitectura e até gosto do conceito da coisa. Acho que nos fazia falta. Foi um benefício.
Claro que gostaria que tivesse sido contruído mais um bocadinho ao lado, de modo a ocultar menos os Jerónimos, que podem ser mais velhinhos, mas de quem gosto ainda mais (bastante mais). Aliás, a idade e tudo o que por lá passou, só servem para ganhar o meu respeito, independentemente do valor artístico que tem.

Eu até lá ia muito nos primeiros tempos; eu até ia lá ver as exposições de que uma amiga foi guia, e outras. Eu até da papelaria do piso de baixo gostava, e adorava comprar papéis onde depois não escrevia, por os achar tão bonitos. E gostava até daquele jardim no terraço que dá para o lado do Tejo, excelente para tagarelar com as amigas em fins de tarde de tempo ameno.

Gostava, e gosto.
Mas confesso que nos últimos tempos a minha relação com o CCB parece não ser a mesma.
Em Fevereiro tive uma experiência do outro mundo, ao ir visitar a Besphoto.
Recomposta do trauma, andava a pensar que tinha de ir ver a exposição do Berardo. Andava a pensar, mas nem sequer tinha pensado numa data. Aconteceu por acaso, havia tempo, e foi no outro fim de semana.

Não foi nada de comparável com a experiência da Besphoto, mas confesso que foi uma desilusão. Não é traumático, mas não me conquistou, nem perto disso. A parte mais interessante da exposição foi a surpresa de não termos de pagar a entrada, e o pézinho da pessoa que me acompanhava dentro do lago, à saída.
Confesso que estou a ser exagerada. Até lá tem uns Picassos (mas gostei mais dos que vi numa exposição da Gulbenkian, há uns anos), e mais algumas outras coisitas que não desgostei. Mas fiquei desiludida.

Estava até um bocadinho preocupada comigo, por julgar que o mal só podia ser meu, que aquilo devia ser, indiscutivelmente, uma maravilha, mas que eu estava a ficar embrutecida para a arte. Depois, respirei fundo quando ela classificou a coisa como coisa-um-bocadinho-mediocre-do-Berardo. Afinal, não sou só eu.

Até acho que a exposição deve ser visitada. Nestas coisas acho que devemos sempre ver com os nossos olhos. E mesmo quando não ficamos conquistados, acho que ganhamos em ver, em conhecer coisas novas, em expormo-nos a novas correntes, enfim, acho que só há vantagens.

Ah! É que eu até nem sou fã por aí além de arte contemporânea, confesso. Sobretudo no que diz respeito à pintura (mas abro grandes excepções, porque há, de facto, grandes pintores, até nacionais e vivos) e um nadinha (mesmo nadinha) a um certo tipo de escultura e dança. Nas outras áreas das artes até acho que estamos a viver um bom momento.
Mas em compensação adoro outras épocas, tenho uma predileção acentuada pelos impressionistas e perco-me de amores pelo Monet.